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Medidas e medições para todos

Crónicas de reflexão sobre medidas e medições. Histórias quase banais sobre temas metrológicos. Ignorância, erros e menosprezo metrológicos correntes.

Medidas e medições para todos

Crónicas de reflexão sobre medidas e medições. Histórias quase banais sobre temas metrológicos. Ignorância, erros e menosprezo metrológicos correntes.

VAZIO: NADA A MEDIR?

VAZIO: NADA A MEDIR?

Por agora, parece que não

 

Apesar de “tudo ser número” (segundo os pitagóricos de antanho, e alguns mais modernos), ou de “Deus ter feito tudo com conta, peso e medida” * (segundo a Bíblia e alguns dos seus leitores), parece-nos não haver nada a medir, por exemplo, no vazio, no silêncio e na escuridão**.

Às vezes, acrescenta‑se a estes termos (substantivos) o adjetivo “absoluto”, para que não haja dúvidas quanto à inalcançabilidade dos conceitos.

(Contudo, entre outros, vazio, silêncio e escuridão são termos que carecem de significado, definição e caracterização, embora sejam só termos específicos para outro termo mais geral: nada.)

Em absoluto, “vazio”, “silêncio” e “escuridão”, serão a mesma coisa: a ausência de fenómenos, de objetos e de grandezas ***: o deserto físico, a impertinência da medição.

São também termos e conceitos sem sentido, mais do domínio do poético, ou da literatura****, os termos: “sempre”, “tudo”, “nada”, por exemplo.

O infinito é, aparentemente, imensurável (está para além de qualquer medida); porém, um número infinito de parcelas poderá ter soma finita. Por exemplo, o somatório de todos os números 1/2n, quando n (número natural) vai de um (1) a infinito (∞), isto é, ∑n 1/2n, para n de 1 a , 1, ou, de outro modo, 1/2+1/4+1/8+1/16+ ∙∙∙ + 1/2n  ∙∙∙ =1.

(Poderá parecer anti intuitivo – uma soma de infinitas parcelas positivas ser finita! – e, mais ainda, uma soma tão pequena!: 1)

 

* Até há pouco tempo, para muitos cientistas, Deus era uma inspiração; hoje, para outros tantos, a Matemática é a entidade orientadora para a revelação da constituição, pormenores e recantos do Universo e da Natureza.

 

** O vazio é relativo: se não temos instrumento que detete abaixo de determinado valor – limiar de mobilidade (do dispositivo indicador) –, o espaço onde tentamos medir as putativas mensurandas poderá ser considerado “vazio”, ainda que não esteja (em absoluto) vazio.

Na verdade, inventamos termos cujos significados são impalpáveis, inatingíveis, insondáveis: o nada, o infinito, o vazio, a eternidade, são exemplos comuns e correntes destas quimeras físicas, entre outras quimeras de outras naturezas a pontuar a nossa ignorância ilustrada com palavras.

(Contudo, segundo a Mecânica Quântica, no “vácuo quântico” poderão aparecer, e de seguida desaparecer coisas; deste modo, não seria admissível, falar‑se de “vazio absoluto”.)

 

*** Já estiveram postuladas entidades físicas como o “éter” e o “flogisto”, como parece estar hoje coisificado, por exemplo, o “tecido espaço‑tempo”.

 

**** Aparentemente, também não haveria nada a medir na pobreza, na ignorância e na igualdade absolutas; e na igualdade relativa não haveria razões, motivações e necessidade de medições. Ao contrário, não faltam métricas para quantificar a riqueza, a sabedoria e a desigualdade.

(O “mérito” poderia ser o potenciador, o fautor e o culpado das desigualdades. Por isso, segundo algumas ideologias, o mérito deveria ser saneado, proscrito, eliminado, ou, pelo menos, diabolizado.)

 

2023-12-07

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