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Medidas e medições para todos

Crónicas de reflexão sobre medidas e medições. Histórias quase banais sobre temas metrológicos. Ignorância, erros e menosprezo metrológicos correntes.

Medidas e medições para todos

Crónicas de reflexão sobre medidas e medições. Histórias quase banais sobre temas metrológicos. Ignorância, erros e menosprezo metrológicos correntes.

UTILIDADE DAS MEDIDAS

UTILIDADE DAS MEDIDAS

Medir a utilidade

 

Os instrumentos de medir são, em geral, dispositivos (muito) úteis*.

E as medidas, geralmente, não só são úteis, mas também são necessárias.

Contudo, aparentemente, há medidas mais úteis do que outras.

(As medidas com muito grande incerteza de medição poderão não ter utilidade, isto é, poderão ser pouco úteis, ou inúteis.)

É frequente discutir‑se, por exemplo, a utilidade de um artefacto, de uma ferramenta, ou de um conceito. Temos até, no domínio dos automóveis, por exemplo, os “utilitários”; e, no domínio público, temos as “utilities”, como, entre outras, a água, a eletricidade e o gás.

E o termo Utilitarismo designa domínios de estudo em áreas como, por exemplo, a Filosofia, a Economia e a Política.

Medimos quando temos necessidade (e possibilidade) de conhecer a intensidade de uma grandeza.

Todavia, por exemplo, a medição da diferença de potencial elétrico (voltagem), na rede elétrica de uma empresa, poderá ser mais relevante – ter mais utilidade – do que a medição da quantidade de gordura que a cozinheira – ou o chef – da cantina da empresa põe na sopa.

A utilidade de uma medida feita a palmo**, em casa, cinge‑se ao uso caseiro: a sua utilidade é reduzida e local***. De utilidade caseira são também as medidas caseiras para, por exemplo, a confeção de especialidades culinárias.

Contudo, é muito grande a utilidade das medidas obtidas para confirmar (ou infirmar) teorias científicas.

Ninguém, medianamente culto, equilibrado, civilizado, contestaria a “utilidade” da Metrologia.

 

* Há quem insista em discutir a utilidade, por exemplo, da Filosofia, conquanto a da Teologia não pareça ser questionada.

Úteis são os instrumentos de medir “caseiros”; os instrumentos de medir profissionais – industriais, comerciais e legais, entre outros – são mais do que úteis: são necessários.

.

** Os palmos de cada um de nós são diferentes uns dos outros; além disso, quando usamos a mão para “medir a palmo”, não somos consistentes no modo como esticamos os dedos, orientamos a mão ou a espalmamos. E, mais ainda, “cada mão, cada bitola, cada unidade de medição”.

(As medições caseiras, mesmo quando são feitas com dispositivos industriais, não são publicamente válidas, ou legais; de resto, aqueles mesmos dispositivos vêm sempre acompanhados de nota, ou de informação, de que as medidas obtidas com os mesmos carecem de legalidade.)

 

*** O que é útil para uns, frequentemente, não será (tão) útil para outros.

A “utilidade” é definida (e quantificada, em termos ordinais, não cardinalmente) em várias áreas científicas – por exemplo, em Economia –, porém, com alguma (natural) arbitrariedade. Esta arbitrariedade resulta da subjetividade da função utilidade, das preferências do sujeito relativamente a um conjunto de opções disponíveis (para o mesmo sujeito). Isto é, a função utilidade comporta uma variável temperamental, volúvel, instantânea, do sujeito. Se, por exemplo, para um determinado sujeito, a função utilidade tem o valor 3 para “futebol” e 1 para “andebol”, significa que ele tem preferência pelo futebol relativamente ao andebol.

 

2024-10-17

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