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Medidas e medições para todos

Crónicas de reflexão sobre medidas e medições. Histórias quase banais sobre temas metrológicos. Ignorância, erros e menosprezo metrológicos correntes.

Medidas e medições para todos

Crónicas de reflexão sobre medidas e medições. Histórias quase banais sobre temas metrológicos. Ignorância, erros e menosprezo metrológicos correntes.

QUANTAS VEZES MEDIR?

QUANTAS VEZES MEDIR?

Uma só vez poderá não bastar

 

Na mercearia, pesar batatas, basta uma vez; no bar, medir a “imperial” (chope, em brasileiro), ou, na loja, medir o tecido, também.

A tensão (pressão) arterial de cada utente, no Centro de Saúde, frequentemente, já é medida várias vezes em cada consulta de prevenção, de controlo médico, ou de diagnóstico de disfunção de doentes e pacientes.

Muitas medições do mesmo tipo são feitas às centenas e aos milhares, todos os dias, num mesmo local – no supermercado, por exemplo –, e não é a variação da temperatura, a variação da humidade, ou um pequeno erro que terão influência assinalável e de consequências relevantes no resultado, ou medida.

A medição segundo critérios de legalidade é mais simples do que, por exemplo, segundo critérios técnicos, ou científicos.

A medição de uma grandeza, na fábrica, com frequência, é realizada mais do que uma vez*: por exemplo, o diâmetro de um cilindro poderá ser medido em várias secções do mesmo (cilindro).

A medição de uma grandeza, em ciência, é feita várias vezes – frequentemente, muitas vezes. E os procedimentos, condições e circunstâncias da medição são relatadas em pormenor quando os resultados são apresentados entre pares, isto é, entre investigadores da mesma área. E também quando se faz a comunicação a terceiros.

Um quilograma de batatas não mantém o seu peso: as batatas poderão perder água, por isso a pesagem só deve ser feita no momento da transferência de propriedade (das batatas).

Todavia, até o quilograma padrão (depositado em Sèvres) parece não conservar a sua massa. Por isso, e por outras razões, se procurou (e se encontrou) uma nova definição e uma nova referência para a unidade de massa do Sistema Internacional de Unidades (SI), cientificamente mais consistente e que vigorará a partir de 2019‑05‑20, dia mundial da Metrologia.

A cada medição, uma mensuranda, em geral, apresenta diferentes resultados, diferentes medidas. Como no tiro ao alvo, em que os impactos em geral não coincidem, também as medidas, os resultados das medições, diferem de medição para medição. Tal e qual como cada disparo, no tiro ao alvo, cada medição é feita com um apreciável número de contingências não controladas que determinam a variação a cada nova execução do processo.

Medir a massa de uma partícula atómica é diferente de pesar um saco de cebolas. Medir uma porção de tecido para uma peça de roupa não tem a mesma relevância que medir a área de um país. Nem medir um protótipo de uma peça industrial é tão banal como a medição rotineira da pressão de um pneu de um carro.

Muitas medições na indústria só são aceitáveis se as medidas forem acompanhadas da expressão explícita da incerteza (ou erro).

Medir um pequeno cilindro, na indústria, poderá exigir, por exemplo, seis (6) medições: numa das extremidades, em direções ortogonais, e repetição a meio e na outra extremidade do cilindro.

Em Ciência, além do número de medições, é geralmente necessário indicar o nível de confiança (uma probabilidade) do intervalo onde poderá estar escondido o valor verdadeiro da intensidade da mensuranda. Quanto maior for o número de medições melhor é o nível (quantificado) de confiança na medida final.

 

*Measure twice, cut once é uma máxima que lembra a atenção que deve ser dada à preparação da execução de qualquer trabalho. Literalmente, significa que, para não haver enganos, se deve medir mais do que uma vez antes de proceder a uma operação.

 

2028‑11‑22

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