QUALIDADE DAS MEDIÇÕES
QUALIDADE DAS MEDIÇÕES
Medições da qualidade
Há medições de qualidade e outras (medições) que não o são: na qualidade das medições há de tudo, das medições de boa qualidade às de má qualidade.
Outra coisa são as medições da qualidade; a qualidade como (eventual) grandeza mensurável: alta qualidade, baixa qualidade, qualidade assim‑assim.
Relativamente a muitos produtos, falamos das respetivas vertentes quantitativas e qualitativas como se se tratasse de perspetivas não miscíveis, inconciliáveis, de diferentes naturezas, de dois mundos distintos.
Contudo, a “quantidade” poderá por vezes ser um indicador da “qualidade”: uma grande procura de um produto (no mercado) poderá ser um indício da qualidade desse produto (ou da relação qualidade/preço).
Habituamo‑nos, aparentemente de modo inconsciente, a considerar que há aspetos nas coisas que não são quantificáveis e ainda menos, mensuráveis.
“Qualidade” é, frequentemente, o conceito que serve de chapéu àquelas cara(c)terísticas relevantes alegadamente não mensuráveis, ou não medidas (qualidade ex post*) e que resultam de apreciações mais ou menos subjetivas.
“Qualidade” é também um corpo de conhecimentos e tecnologias que abrange as cara(c)terísticas mensuráveis (qualidade ex ante*) previamente estabelecidas – especificações (requisitos).
Assim, temos as “medições de qualidade”, no âmbito da “qualidade das medições”: qualidade dos fatores que concorrem para a obtenção de cada medida, desde o medidor, ou metrologista, ao instrumento, do método aos procedimentos, da (natureza da) mensuranda (mensurando, em brasileiro) às condições da medição.
Por outro lado, a qualidade seria, frequentemente, suscetível de gradação, de medição, presumindo‑se possível a “medição da qualidade”.
“Medições de qualidade” e “medições da qualidade” são expressões que diferem numa letrinha somente e que denominam processos muito distintos: assuntos, áreas temáticas e objetivos muito diferentes.
Não é só a qualidade das medições que pode ser avaliada, mas a própria qualidade seria mensurável, embora “qualidade” (ex post*) seja quase o que cada cliente, utente (usuário, em brasileiro), ou usufrutuário quiser!
Medir com qualidade poderá não ser polémico; mas, medir a qualidade já é mais difícil, menos comum, mais controverso.
“Não sei o que é a qualidade, mas reconheço-a quando a vejo”, dizia alguém ligado a uma entidade dedicada à qualidade.
Medições mal feitas não têm qualidade! E se há boa e má qualidade, alta e baixa qualidade, não poderíamos estabelecer e convencionar um critério, uma métrica, uma escala para a medir?
*Estas expressões (latinas) – ex ante e ex post – são usadas em várias situações e setores.
Um par de sapatos tem qualidade ex ante se está conforme (em conformidade) com as especificações e requisitos prévios que alguém tenha imposto, por exemplo, ao fabricante dos sapatos. Todavia, o mesmo par de sapatos só terá qualidade ex post se o utente, calçando‑os, se sente bem, confortável e satisfeito com o uso e posse dos mesmos sapatos.
Na primeira aceção (ex ante), toda a gente estaria de acordo; na segunda (ex post), “cada cabeça – e, eventualmente, cada par de pés –, cada sentença”.
2018‑10‑11