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Medidas e medições para todos

Crónicas de reflexão sobre medidas e medições. Histórias quase banais sobre temas metrológicos. Ignorância, erros e menosprezo metrológicos correntes.

Medidas e medições para todos

Crónicas de reflexão sobre medidas e medições. Histórias quase banais sobre temas metrológicos. Ignorância, erros e menosprezo metrológicos correntes.

POUCO SE MEDE

POUCO SE MEDE

Medir, para quê?

 

Há, em geral, muita opinião, muito achismo, muita assertividade injustificada e pouca medição.

Quem diz medição, diz contagem.

Mede-se muito, mas o que se mede é ainda muito pouco.

A medição é ainda uma exceção.

Mas a frequência com que, por exemplo, as palavras “medida”, “métrica” e “barómetro” são usadas parece significar que são grandes o desejo, a vontade, ou a perceção da importância de quantificar, se possível, medindo.

Parece, segundo alguns psis (profissionais da psique – não pounds per square inch), que certos estados de alma têm “comprimento, largura e altura”; e já houve mesmo quem tivesse achado o peso da alma: 21 g!

Quem não ouviu, ou leu, sobre uma ultrapassagem mal calculada? (O “cálculo” implica dados, informação quantificada, medidas, apesar dos sentidos figurados desta palavra.)

Medir tem, frequentemente, entre muitos outros, um propósito: o pagamento de impostos, contribuições ou taxas.

Também se mede o risco*.

Não se mede, por exemplo, a simpatia, o mérito, a dignidade**,– ou, mede‑se? –, apesar de, aqui e ali, serem sugeridos índices e indicadores, “pesos” e quantificadores de várias naturezas – barómetros – de muitas grandezas (melhor, fatores, entidades e fenómenos) destas características.

Não se mede a intensidade do contacto entre adversários, num jogo de futebol, apesar das penalizações que a aparente discricionariedade/arbitrariedade*** do árbitro (passe a redundância!), ou juiz, pode decidir, determinar, ou julgar.

Fala‑se frequentemente, acerca de alguém, por exemplo, com “talento acima da média”; mas, como assim?!, se nem “média” (do talento) há?!

Quantas vezes não nos deparamos, mais em alguns países e períodos do que em outros, com palavras como, por exemplo, “mentirómetro”, “crençómetro” e “talentómetro”, já para não falar do multiforme, ubíquo e multímodo “barómetro”.

Por exemplo, a perfeição tem graus? Ou é uma característica de tudo‑ou‑nada?!

Em algumas áreas não se mede, mas quantifica-se: a dor; o dano moral e a incapacidade física, entre outros.

As medições ajudam muito à transparência; mas, a quem interessa a transparência?

 

* Os seguros são um bom negócio e parecem repousar nas probabilidades. Afinal, o que medem as probabilidades? (Há quem diga que as probabilidades medem a nossa ignorância, mas também estados alternativos, segundo a Mecânica Quântica.)

 

** Todavia, há instituições e entidades com projetos e objetivos para o “homem novo” que definem dignidade com objetividade: garantir a “qualidade de vida” através do número de vezes (por semana) em que se deve comer carne, peixe e, sobretudo, vegetais (um novo paradigma da alimentação saudável?); número de consultas anuais de odontologia, entre outras especialidades; duas semanas de férias fora de casa, e outros direitos que concorrem para a dignidade, felicidade e honorabilidade humanas!

 

*** Arbitrar é (muito) difícil, e não só no futebol; por isso, não se deve ser muito exigente e rigoroso com os árbitros! (?)

 

2022-09-22

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