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Medidas e medições para todos

Crónicas de reflexão sobre medidas e medições. Histórias quase banais sobre temas metrológicos. Ignorância, erros e menosprezo metrológicos correntes.

Medidas e medições para todos

Crónicas de reflexão sobre medidas e medições. Histórias quase banais sobre temas metrológicos. Ignorância, erros e menosprezo metrológicos correntes.

PESAR NA LUA

PESAR NA LUA

Medir a altitude em Marte

 

As unidades metrológicas, em particular, as unidades SI, seriam válidas em qualquer parte do Universo, porém, muitos instrumentos que costumamos usar não seriam aplicáveis, ou utilizáveis fora daqui *.

As balanças comuns (na Terra) medem o peso, ou massa (avaliada, no SI, em quilogramas, kg), contudo, as balanças, em geral, são sensibilizáveis e sensibilizadas pelo peso (avaliado, no SI, em newtons, N). Ora, na Lua, por exemplo, uma massa de um quilograma, exerceria sobre o prato ou plataforma de uma balança corrente (na Terra) um peso inferior a 9,8 N (ou 1 kgf). Contudo, em princípio, poder‑se‑ia voltar a graduar (regraduar) estas balanças para que as indicações passassem a estar corretas para as pesagens na Lua.

(Num jogo de futebol, na Lua, na marcação de uma falta, que distância seriam nove passos do árbitro – cada passo, cada salto – quando, com as regras vigentes, estabelecesse a posição dos jogadores da equipa faltosa?)

Quem diz Lua, diz Marte, ou outro corpo celeste.

Os barómetros correntes (na Terra) poderão (ser usados para) medir a altitude, ou diferença de altura (por exemplo, em metros) entre diferentes pontos; todavia, os barómetros correntes são sensibilizados pela pressão atmosférica terrestre (expressa, no SI, por exemplo, em pascais). Mas, sem atmosfera, estes barómetros ficariam inoperacionais para esta e outras funções (de medição da altitude, ou diferença de altitude/altura).

E o acerto dos pneus do seu carro, na Lua, poderia ser feito segundo as indicações, ou instruções do manual de serviço do mesmo?

E até os relógios terrestres, que são afetados pela gravidade (Einstein dixit), não funcionariam do mesmo modo num corpo celeste diferente da Terra.

Onde a gravidade é maior do que na Terra, o tempo fluirá mais lentamente; e ao contrário: onde a gravidade for menor, o fluxo do tempo será mais rápido. Por exemplo, num asteroide, o tempo fluiria mais rapidamente e a vida seria (ridiculamente) mais curta.

Contudo, isto parece ser o contrário do que sucede com os relógios de pêndulo**, na Terra.

 

* As unidades SI são agora baseadas, fundadas e fundamentadas em constantes universais, ou alegada e desejavelmente universais. Porém, os instrumentos metrológicos que usamos, sobretudo no quotidiano, são dispositivos de conveniência relativamente à função, à utilidade e à facilidade de utilização.

Todavia, a “rastreabilidade metrológica” garantiria a ligação de qualquer padrão metrológico legal à definição fundamental e fundacional.

 

** Sabemos que, na expressão que o período oscilação do pêndulo (simples), T=2 π(l/g)½, em que T é o período de oscilação – o tempo que leva uma oscilação completa –, l o comprimento do pêndulo e g a aceleração da gravidade local, se g for nulo o T será infinito (∞), isto é, o pêndulo não oscila!

(A razão de qualquer número x por zero, x/0, é uma impossibilidade e representa‑se por ∞, o infinito.)

Quanto menor for g, maior será T, o período, e menor será a frequência, isto é mais lentamente se moverá o pêndulo. Inversamente, quanto maior for g, menor será T, o período, e maior será a frequência, isto é mais rapidamente se moverá o pêndulo.

 

2024-06-06

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