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Medidas e medições para todos

Crónicas de reflexão sobre medidas e medições. Histórias quase banais sobre temas metrológicos. Ignorância, erros e menosprezo metrológicos correntes.

Medidas e medições para todos

Crónicas de reflexão sobre medidas e medições. Histórias quase banais sobre temas metrológicos. Ignorância, erros e menosprezo metrológicos correntes.

PARALAXE

PARALAXE

Erro e método de medição

 

Num carro em movimento, o pendura, ao lado do condutor, quando olha para o velocímetro – dos de mostrador com ponteiro deslocando‑se por cima da escala, ou graduação – não lê o mesmo valor da velocidade que lê o condutor. O condutor, olhando na perpendicular ao visor, faz uma leitura correta, mas o pendura, olhando de lado, faz uma leitura com erro. O erro poderá ter sinais contrários: um (sinal) no caso do pendura num carro preparado para circular, por exemplo, em Inglaterra ou Irlanda, e outro (sinal) no caso do pendura em carro preparado para circular na Europa continental.

O pendura inglês, sentado à esquerda do condutor, lê em demasia, lê por excesso, lê velocidade superior à verdadeira – um erro de sinal positivo. O pendura continental, sentado à direita do condutor, lê de menos, lê por defeito, lê velocidade inferior à verdadeira – um erro de sinal negativo.

Este tipo de erro de algumas medidas, ora de sinal positivo, ora de sinal negativo, designa-se por erro de paralaxe.

O erro de paralaxe é, fundamentalmente, um erro do leitor, do medidor, do metrologista. O metrologista é uma fonte (potencial) de erros das medidas.

Este erro também pode ocorrer em outras medições, por exemplo, com balanças e galvanómetros analógicos, réguas de escala de bordo espesso, ou, em outros casos, quando não temos o cuidado de, na leitura, visar corretamente, olhando na perpendicular ao visor, ao mostrador, ou à escala (graduação) do instrumento de medição.

A forma biselada, muito comum, do bordo das réguas onde está inscrita a graduação, tem por objetivo diminuir o erro de paralaxe, quando não há o cuidado de o evitar. O erro de paralaxe pode ser calculado, mas, o melhor é evitá-lo.

Todavia, “paralaxe”, sendo nome de erro, também pode ser designação de método de medição. Uma coisa e outra: “paralaxe” tem mais do que uma aceção metrológica: ora uma – erro –, ora outra – método de medição.

Por exemplo, em Astronomia, visar um corpo celeste contra o fundo do céu (um fundo constituído por outros corpos celestes, distantes, de referência), quando a Terra está – entre outras posições –, num dos extremos do eixo maior da sua órbita (afélio), e visar o mesmo corpo celeste quando a Terra está no outro extremo da sua órbita (periélio), permite determinar a abertura angular – o ângulo – com que, a partir desse corpo celeste se veria o eixo maior da órbita terrestre e, conhecido o eixo maior desta órbita, determinar as várias grandezas do triângulo (corpo celeste, afélio e periélio), incluindo distâncias.

Este é o método de paralaxe. Um método de medição (indireta).

 

De modo idêntico, os fenómenos térmicos – entre outros –, eventualmente responsáveis por algumas fontes de erro que uma medida pode apresentar, por se desprezar os alongamentos ou contrações de um corpo, provocados pela variação ou diferença das temperaturas, também podem ser explorados e aproveitados para a construção de termómetros, ou pirómetros! A Dilatometria constitui uma base de fenómenos físicos, ou princípios físicos, ou princípios metrológicos, para o fabrico de instrumentos de medição da temperatura.

Em alguns casos, um fenómeno que constitui uma perturbação eventual, ou uma fonte de erro, em uma medição poderá ser explorado como princípio físico, ou princípio metrológico, para a base, fundação e fundamento de um processo de medição.

 

2017-05-25

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