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Medidas e medições para todos

Crónicas de reflexão sobre medidas e medições. Histórias quase banais sobre temas metrológicos. Ignorância, erros e menosprezo metrológicos correntes.

Medidas e medições para todos

Crónicas de reflexão sobre medidas e medições. Histórias quase banais sobre temas metrológicos. Ignorância, erros e menosprezo metrológicos correntes.

OBSERVAÇÕES E MEDIÇÕES

OBSERVAÇÕES E MEDIÇÕES

Às vezes quem mede observa

 

Quem mede observa, mas nem sempre. Todavia, muitos dos que observam … não medem. Na verdade, a maioria de nós não observa, vê, e não vê “claramente visto”, como via Camões (?), só com um olho (melhor do que uma vista)!

Quem observa, explícita ou implicitamente, vai avaliando, frequentemente, com adjetivos e advérbios: grande/pequeno; rápido/lento; quente/frio e muitos mais critérios e referências. (Ao contrário, algumas pessoas, por deformação profissional, poderão ter a inclinação de estimar intensidades para grandezas que se lhes vão deparando: distâncias, dimensões, velocidades, intensidades de ruídos, intensidades luminosas, entre muitas outras grandezas.)

Tycho Brahe*, entre outras particularidades, foi um observador que privilegiava a exatidão (precisão) de medição.

Werner Heisenberg [1901–1976] – físico alemão, prémio Nobel de Física em 1932 – postulou que, a nível atómico, ou subatómico, a medição, para além das flutuações próprias da realidade observada, perturba o fenómeno e a grandeza sob medição, e a perturbação, ou alteração, passa a fazer parte do mesmo (fenómeno): a observação passa a integrar o processo observado; daí também, em parte, a incerteza incontornável que tem o seu nome: “incerteza de Heisenberg”. Todavia, este fenómeno da consolidação, ou agregação de fenómenos, observado e observador, seria só relevante à escala atómica.

Contudo, em ambiente ou contexto macroscópicos, a medição, ou o processo de medição, poderá também perturbar o fenómeno: um termómetro de contacto “rouba” calor ao objeto sob medição e altera-lhe pontualmente a temperatura**; e a variação da temperatura de partes do instrumento faz variar algumas das características do (mesmo) instrumento.

Além disso, e sem sair do domínio dos termómetros, por exemplo, o termómetro clássico (“clássico” ***, significa, frequentemente, que já não se usa, ou que é uma relíquia entre outros itens mais atuais e modernos), de mercúrio, ou outra substância termométrica, absorvendo calor, altera a sua forma e dimensões, embora essa perturbação possa ser tida em conta na calibração do mesmo (termómetro).

No domínio macroscópico, estas perturbações metrológicas são frequentemente desprezáveis, podendo ser reduzidas – se houver necessidade – à irrelevância metrológica.

 

* As medições feitas por Tycho Brahe [1546–1601] – um astrónomo dinamarquês –, pela sua exatidão e repetibilidade (precisão), permitiram a Johannes Kepler [1571–1630] – matemático, astrónomo e … astrólogo alemão – estabelecer leis fundamentais e fundacionais da nova Astronomia.

 

** A perturbação (térmica) do instrumento (de contacto) é tanto mais sensível quanto menor for a sua capacidade térmica, ou capacidade calorífica (e, consequentemente, quanto menor for a sua massa). Todavia, os erros e as incertezas das medições das temperaturas, em ambiente não científico, são geralmente compatíveis com as oscilações rápidas correntes da temperatura pontual e com a não uniformidade da mesma nos corpos ou objetos comuns observados.

 

*** Aparentemente, um automóvel de vinte e quatro anos (24 anos) de idade é um carro velho; com vinte e cinco (25) anos seria … um clássico!

 

2022-09-15

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