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Medidas e medições para todos

Crónicas de reflexão sobre medidas e medições. Histórias quase banais sobre temas metrológicos. Ignorância, erros e menosprezo metrológicos correntes.

Medidas e medições para todos

Crónicas de reflexão sobre medidas e medições. Histórias quase banais sobre temas metrológicos. Ignorância, erros e menosprezo metrológicos correntes.

O QUE MEDIR?

O QUE MEDIR?

Conjuntos de medidas

 

Não conhecemos uma estrutura, um planeta, um doente, através de uma, duas, três ou mais dúzias de medidas*.

As medidas são, em geral, respostas a perguntas de alguém; mas frequentemente não sabemos fazer as perguntas, nem fazê-las todas.

Não conhecemos o Universo por que nem sequer sabemos o que poderá ser essa entidade e o que será possível conhecer dela (a entidade Universo).

Que perguntas fazer, que grandezas (disponíveis) medir, e que respostas procurar acerca do Universo?

Dar nomes e “batizar” (arbitrariamente) coisas e fenómenos (virtuais e fictícios) é uma especialidade nossa! E, uma vez nomeados, os fenómenos e as entidades passam a ser realidades durante períodos mais ou menos longos.

A questão do conhecimento de uma situação/entidade, a partir de um número avulso de dados, poderá ter resposta?!

Dispor de dados não é o mesmo que ter informação e menos ainda do que possuir conhecimento acerca de uma entidade.

Mesmo dispondo de todas (?) as medidas, necessitamos de fazer associações, generalizações, comparações para podermos compreender – que o digam, por exemplo, os especialistas de Inteligência Artificial.

Um conjunto de medidas é sempre um número avulso de medidas. Por maior que seja o número de medidas (parciais), é, em geral, insuficiente para avaliar o todo.

O todo é mais e maior do que a soma das partes. Por exemplo, um motor é mais do que o conjunto das suas peças: o motor tem potência, embora nenhuma das suas peças tenha potência.

Qualquer que seja o número de medições levadas a cabo em uma pessoa – medição de grandezas fisiológicas, antropomórficas ou biométricas da mesma –, é sempre um número avulso, incompleto, insuficiente.

Quem diz pessoa, diz processo, fenómeno, planeta, ou Universo.

Aviões caem, mesmo com medições corretas e todas as medidas validadas.

Algumas pessoas, apesar de estarem cheias de saúde, morrem, isto é, morrem com as variáveis (alegadamente) relevantes dentro dos valores de referência.

Uma medição correta e uma medida aceitável não são garantia de que esse valor se manterá constante. Além disso, pequenas variações de uma grandeza poderão induzir, produzir, ou provocar alterações catastróficas em outras grandezas. O leitor já ouviu falar da borboleta que, batendo as asas, por exemplo, em Washington, provoca uma ventania em Moscovo e um tornado na China** (mas não produz chuva no deserto do Saara)?!

As medições feitas por uma máquina, ou por um conjunto de máquinas que monitorizam um doente, não medem o estado do doente; as medidas avulsas são só um conjunto de medidas – as que os especialistas sabem/podem fazer e (esperançosamente) são capazes de interpretar. As medidas, em geral, valem tanto quanto a crença, a esperança e presunção que nelas são depositadas.

 

* “Tudo é uno” e “o uno é incognoscível”.

Em geral é necessária uma visão integrada, uma visão holística da entidade medida e controlada para a conhecermos; deve ser evitado depositar toda a confiança, toda a esperança e toda a segurança somente num conjunto de medidas.

 

** Uma alegoria popularizada para sensibilizar o cidadão comum para a complexidade, imprevisibilidade e instabilidade de muitos sistemas (por exemplo, a saúde, o clima, a economia) cujo estudo integra a “Teoria do Caos”.

 

2020-11-12

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