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Medidas e medições para todos

Crónicas de reflexão sobre medidas e medições. Histórias quase banais sobre temas metrológicos. Ignorância, erros e menosprezo metrológicos correntes.

Medidas e medições para todos

Crónicas de reflexão sobre medidas e medições. Histórias quase banais sobre temas metrológicos. Ignorância, erros e menosprezo metrológicos correntes.

NÚMEROS E MEDIDAS

NÚMEROS E MEDIDAS

Expressões dos números e das medidas 

 

No Ocidente, o “número sete” (seis‑mais‑um, ou oito‑menos‑um), entre outros algarismos, tem a mesma expressão simbólica – por exemplo,  7, ou 7 – em quase todas as línguas mais conhecidas.

O termo, ou palavra, para o símbolo “7”, para o “número sete” – como para os outros algarismos – difere de língua para língua: sete; seven; sept; sieben; siete, sette, entre muitas outras designações deste dígito*.

Os nomes dos números são diferentes de língua para língua, como os nomes de outras coisas materiais, ou imateriais – com certeza! Os símbolos dos números, não, não são diferentes, são os mesmos.

As expressões (simbólicas) dos números obedecem, por vezes, a diferentes critérios, por exemplo: cinco mil deve ser escrito: 5000 (cinco/zero/zero/zero); dez mil – e acima – deve ser escrito: 10 000 (um/zero/espaço/zero/zero/zero).

Há regras estritas, por exemplo, do SI (Sistema Internacional de Unidades), para o formato destas expressões, embora sejam desconhecidas de muita gente, como, aliás, são desconhecidas as regras e os conhecimentos básicos de outras áreas e assuntos, como, entre outras, a condução automóvel, a urbanidade e a gestão dos fatores do conforto das residências humanas.

Os números, em geral, enganam menos do que as palavras: os números são, frequentemente, menos ambíguos do que as palavras.

(Todavia, também se fala de “mentir com números”, como fariam os políticos: “os números, bem torturados, dizem sempre o que nós queremos”.)

Contudo, numa mesma língua, ou diferentes normas da mesma língua, como o português e o brasileiro (uma norma de português), o inglês e o americano (uma norma do inglês), um mesmo número poderá ter designações diferentes.

Por exemplo, o número 109 – o algarismo “um” seguido de nove zeros:

1 000 000 000 –, designa-se por um milhar de milhões, em português – porque assim obriga o SI a que Portugal há muito aderiu – e designa-se correntemente por bilião/bilhão, em brasileiro (escala curta!?); por billion (bilião) em americano. Em Portugal, em coerência com o SI, dever‑se‑á chamar bilião só ao número 1012 (escala longa!?) – o algarismo “um” seguido de doze zeros: 1 000 000 000 000 –; embora nem todos respeitem/conheçam esta regra.

(Frequentemente, por exemplo, a propósito das dívidas soberanas de estados europeus, a maioria é expressa em milhares de milhões de euros – G€, giga‑euros, ou 1000 M€, milhar de milhões de euros –; e começam a ser banais tão grandes números.)

Duas dezenas é o mesmo que vinte; seis é meia dúzia, embora, em alguns negócios, quando pedimos “meia dúzia” sejamos brindados com sete unidades. Contudo, estas expressões, “duas dezenas”, “dúzia”, entre outras expressões do linguajar comum, são frequentemente designações indicativas, não podendo ser interpretadas como expressões rigorosas; nem “quarentena”, comummente, designa quarenta (dias).

E há números que nos fazem sorrir: ler que a taxa de natalidade é de 9,2 (uma permilagem) faz interrogarmo-nos sobre o que será 0,2 de um bebé! Embora muitos leitores saibam que se trata de 92 bebés por cada dez mil habitantes (92/10 000, ou 9,2/1000  9,2‰, uma permilagem).

Embora “22,3” seja vinte e dois e três décimos, também se tolera (?) que o mesmo número – cedências à tecnologia e à tradição, cultura e referências de alguns países – se escreva “22.3” (vírgula substituída por ponto).

 

* Todos os algarismos (dígitos) são números, mas nem todos os números são algarismos, ou dígitos: por exemplo, o número dezassete – 17 – tem dois dígitos, ou dois algarismos.

 

2023-03-30

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