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Medidas e medições para todos

Crónicas de reflexão sobre medidas e medições. Histórias quase banais sobre temas metrológicos. Ignorância, erros e menosprezo metrológicos correntes.

Medidas e medições para todos

Crónicas de reflexão sobre medidas e medições. Histórias quase banais sobre temas metrológicos. Ignorância, erros e menosprezo metrológicos correntes.

MEDIR TERRAS

MEDIR TERRAS

Já não há agrimensores?

 

Medir terrenos, em algumas épocas e certos locais, foi mais importante do que em outros períodos e zonas.

Medir campos, quintas e terrenos, é provavelmente uma das áreas de medição mais antigas e a arte de medir mais conhecida de entre muitas das artes de medição.

A Agrimensura (a Geometria?) é uma arte antiga e universal. Uma das mais antigas, senão a mais antiga praticada em sociedade, não fosse a agricultura a atividade intensiva mais primitiva a apelar à medição e a pastorícia à contagem.

Antigamente, em Portugal, na “escola primária”, entre as réplicas didáticas do conjunto “pesos e medidas”, havia um exemplar da “cadeia do agrimensor”, geralmente uma cadeia de arames totalizando dez metros, uma materialização do decâmetro, símbolo SI, dam (1 dam=10 m).

Pelo que se conhece, ou frequentemente é narrado, a Agrimensura desenvolveu-se bastante no Egito*, por causa das cheias e refluxos do rio Nilo: quando, depois das cheias, o rio voltava ao seu leito, os terrenos, hortas e pomares, com proprietários distintos, necessitavam de ser identificados e demarcados, em geral através de medição, após destruição e ocultação de marcos e referências.

Idênticos problemas, complicações e confusões surgiriam, por exemplo, com terramotos, maremotos e grandes tempestades, embora estas ocorressem de modo imprevisível e catastrófico, ao contrário das cheias do Nilo, entre outros rios, previsíveis e, frequentemente, benignas.

Provavelmente, as práticas, conhecimentos e necessidades agrimensórias teriam surgido antes e em outros locais que não o Egito, mas, em retrospetiva, até determinadas datas, é do Egito que temos mais dados e, em geral, é onde há mais informação que procuramos as fontes. (Conhecem a estória do Fulano que, à noite, já bebido, perdeu a chave de casa e foi procurá-la “debaixo do candeeiro” da rua por que era onde havia luz?! Também a China, além do Egito, parece ser, para as pessoas comuns, uma fonte prístina de dados, conhecimento e sabedoria, para além, claro!, da Grécia, o consabido berço da civilização.)

Aparentemente, hoje, não se fala em agrimensores, mas, de topógrafos.

Todavia, a Agrimensura ocupar-se-ia ainda das medições e representação de regiões; a Topografia olharia para territórios à escala de nação e, finalmente, a Geodesia (Geodésia, em brasileiro) apontaria à medição e representação da Terra.

Há áreas da Metrologia muito antigas e algumas de maior interesse coletivo do que outras.

Geometria significa, na origem da palavra, medição da Terra, contudo, hoje, a Geometria já não tem como objetivo a medição da Terra e, aparentemente, entre as várias Geometrias, só a Geometria Euclidiana se preocuparia com medidas e medições.

Os triângulos e outras figuras geométricas que desenhamos na lousa, no papel, ou no visor do dispositivo eletrónico, são os objetos da Geometria; a medição dos terrenos é tarefa da Agrimensura. E a medição da Terra fica a cargo da Geodesia.

 

*Cleópatra terá escrito um livro sobre pesos e medidas, um indício da importância das medições, já naqueles tempos, e um abono para o seu currículo.

 

2018‑11‑15

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