MEDIR PORMENORES
MEDIR PORMENORES
Avaliar pormaiores
Em muitos artefactos, ou peças, as dimensões dos pormenores são mais relevantes, por exemplo, para o (bom) funcionamento e desempenho dos mesmos (artefactos) numa máquina, do que as dimensões dos pormaiores das mesmas (peças, ou máquinas).
Frequentemente, as dimensões de algumas peças maiores têm tolerâncias (intervalos de variação admitidos para as cotas, ou valores impostos às grandezas geométricas ou dimensionais) proporcionalmente mais alargadas do que as tolerâncias (e concomitantes incertezas de medição) das cotas de alguns pormenores das mesmas peças.
(“É nos pormenores que está o diabo”, diz‑se, por vezes. Com frequência, pequenos pormenores, ou pequenas diferenças, determinam muito diferentes desempenhos, ou evoluções indesejadas de alguns sistemas*.)
Uma ranhura – geralmente um pormenor de uma peça – onde encaixa ou desliza uma nervura, ou outra parte de outra peça; um furo pequeno dentro do qual se move um pequeno veio, ou o entredente de uma roda de engrenagem que recebe o dente de outra roda de engrenagem compatível, são exemplos de pormenores que, em geral, têm relevância incontornável no funcionamento e desempenho do conjunto (mecanismo) de que as peças fazem parte **.
Os pormenores geométricos das peças, com frequência, são metrologicamente controláveis só com instrumentos, ou dispositivos metrológicos especiais. Todavia, frequentemente, estão disponíveis “máquinas de medir por coordenadas” (CMM – Coordinate Measuring Machines), que tornam mais fáceis as medições de uma maior quantidade e maior amplitude de tipos de pormenores e cotas (especificações geométricas) das peças.
Como em outros processos de manufatura – especialmente mecânica, ou metalomecânica – o processo metrológico é (hoje) frequentemente desempenhado por sistemas automáticos, incluindo robôs de medição. (Por vezes, os próprios sistemas de fabrico integram subsistemas eletromecatrónicos de controlo metrológico***.)
* A recente “Teoria do Caos” nasceu da descoberta e constatação de que muitos sistemas (físicos e outros) evoluem de modos muito diversos mesmo quando são pequenas as diferenças, ou variações dos valores de algumas grandezas, a ponto de se apresentarem perante nós como sistemas instáveis, apesar de, aparentemente, parecerem sistemas determinados (no sentido da mecânica newtoniana).
** Antigamente recomendava‑se que os sistemas mecânicos novos trabalhassem durante algum tempo a regimes mais ou menos suaves durante algum tempo para que as diferentes partes se acomodassem umas às outras de modo conveniente: era a célebre rodagem, por exemplo, dos automóveis, de que a maior parte dos leitores nunca terá ouvido falar.
*** Um pedreiro mede muitas vezes; a sua atividade é um trabalho de montagem em que as peças – tijolos, mosaicos e pedras, por exemplo –, frequentemente, são ajustadas na hora, ao contrário das montagens mecânicas em que as várias peças são produzidas com especificações (em geral, explicitamente toleranciadas) que garantem a montagem sem necessidade de ajuste, ou ajustagem; e frequentemente produzidas a distâncias muito grandes do local onde são montadas, e a longos intervalos entre produção e uso.
2023-03-09