Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

Medidas e medições para todos

Crónicas de reflexão sobre medidas e medições. Histórias quase banais sobre temas metrológicos. Ignorância, erros e menosprezo metrológicos correntes.

Medidas e medições para todos

Crónicas de reflexão sobre medidas e medições. Histórias quase banais sobre temas metrológicos. Ignorância, erros e menosprezo metrológicos correntes.

MEDIR O TEMPO SEM RELÓGIO

MEDIR O TEMPO SEM RELÓGIO

Quantos tempos há?

 

Os cosmólogos dizem que o tempo – melhor, o espaço‑tempo –, nasceu com o Big Bang. E, até ver, parece ser uma boa narrativa.

E o tempo poderá ser retardado e acelerado? O tempo tem velocidade?

Ou são os fenómenos que podem ser acelerados e retardados?! Ou, nem isso!?

O tempo é relativo? Aparentemente – tanto quanto se sabe – seria, por exemplo, no sentido psicológico, e no sentido da conceção da Física Relativista (segundo Einstein, o tempo seria uma ilusão!).

E o calendário?, conta, ou mede* o tempo?!

Podemos medir o tempo sem relógio?!

Como se mede o intervalo “daqui a três semanas”? Com o calendário?!

Medimos o tempo contando oscilações, alternâncias regulares, batimentos de órgãos de algumas máquinas; contando repetições de fenómenos periódicos; contando vibrações de alguns corpos; contando saltos de algumas partículas subatómicas. E a idade do Universo mede-se pelo tamanho que este teria adquirido a partir do Big Bang.

Aparentemente, quando se mede o tempo, poder-se-á ter a sensação de que não há nada para medir, pelo menos com idêntica natureza fenomenológica, caráter sensível e identidade que apresentam, por exemplo, a temperatura, a pressão ou o comprimento. Em primeira instância, contamos voltas da Terra.

Aparentemente, (quase) todas as grandezas podem ser aumentadas, diminuídas e até mantidas constantes. Com o tempo (e a entropia, com que o tempo estaria relacionado), parece que não.

Efetivamente, ao contrário, por exemplo, da intensidade da corrente elétrica, da massa, e da velocidade, não é necessário apontar, encostar, ou circunscrever um corpo, ou uma região, para medir o tempo.

O que estará a medir, autisticamente, um relógio?

Em geral, contamos o tempo em minutos, horas, dias, anos, décadas, séculos e milénios (unidades que não pertencem ao SI), entre outras unidades, e medimo-lo em segundos (unidade de tempo do SI), décimos de segundo, centésimos de segundo, milésimos de segundo, e por aí fora.

A Terra é um relógio; a Lua é um relógio; os átomos são relógios; alguns elementos (químicos), por exemplo, os que se decompõem espontaneamente, são relógios.

Há fenómenos, entidades e processos que são usados para medir o tempo.

Há elementos químicos que não são estáveis e dos quais conhecemos o ”ritmo”, a “regularidade” e a “periodicidade” de alteração, de mudança. Tudo o que tiver “ritmo” poderá, com algum controlo, ser elegível para relógio.

Ninguém chama relógio à ampulheta, ou à clepsidra, mas estes dispositivos (também) servem para medir o tempo (cronológico)!

Sentimos a temperatura quando percebemos que há calor a atravessar‑nos a pele, ou ao contrário, calor a abandoná‑la – linguagem figurada! Porém, possuir esta sensibilidade não permite (à generalidade das pessoas) medir a temperatura.

E sentimos o tempo (cronológico), embora de modo diferente com que sentimos a temperatura: digamos que ele (o tempo, uma ilusão, segundo Einstein) é relativo e, aparentemente, com legitimidade científica.

Parece que o tempo, ao contrário do que a linguagem comum e sentimento geral fazem crer, não flui, como um fluido que se escoasse: é (só mais) uma coordenada de localização no espaço‑tempo.

 

*”Medir” – coisa complexa – é contar; “contar” – coisa simples – não é medir.

 

2019‑03‑14

Mais sobre mim

foto do autor

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Arquivo

  1. 2025
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2024
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2023
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2022
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2021
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2020
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2019
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2018
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2017
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D
  118. 2016
  119. J
  120. F
  121. M
  122. A
  123. M
  124. J
  125. J
  126. A
  127. S
  128. O
  129. N
  130. D
  131. 2015
  132. J
  133. F
  134. M
  135. A
  136. M
  137. J
  138. J
  139. A
  140. S
  141. O
  142. N
  143. D
Em destaque no SAPO Blogs
pub