Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

Medidas e medições para todos

Crónicas de reflexão sobre medidas e medições. Histórias quase banais sobre temas metrológicos. Ignorância, erros e menosprezo metrológicos correntes.

Medidas e medições para todos

Crónicas de reflexão sobre medidas e medições. Histórias quase banais sobre temas metrológicos. Ignorância, erros e menosprezo metrológicos correntes.

MEDIR O PASSADO

MEDIR O PASSADO

Historiometria

 

Há quem diga que “o passado é um país estrangeiro”. E também quem – ou os mesmos – considere que a História é … “um género literário” *.

O termo Historiometria, um termo aparente e gramaticalmente bem formado, parece não constar nos dicionários (apesar de, agora, qualquer pessoa, à revelia dos linguistas eruditos, poder publicar um dicionário digital!).

Apesar de a História ser, simplificadamente, um conjunto de narrativas – e diferentes narrativas sobre os mesmos acontecimentos, eventos e processos, consoante o historiador –, frequentemente ela não dispensa, por exemplo, uma boa medição do(s) tempo(s) e também uma boa representação do(s) terreno(s): distâncias relativas e distâncias absolutas, entre outros fatores, grandezas e medições. Para análises militares, económicas, sociais e outras.

Embora as métricas, medições e contagens em retrospetiva mereçam por vezes algumas reticências, dispensá-las seria inaceitável.

A História e as áreas relacionadas – Arqueologia, Antropologia, Paleontologia, entre muitas outras ciências – estão dependentes de técnicas (e de tecnologias) de medição do tempo, por exemplo, de datação**, entre muitas outras grandezas que gostaríamos que fossem medidas, pese embora muita História ser um conjunto de opiniões, retrovisões e interpretações em modo retrospetivo (eventualmente anacrónico), mais ou menos explícitas, da lavra dos respetivos historiadores***.

Na atualidade, há “processos em curso”, como os que, por exemplo, envolvem o futebol (entre outras áreas clubísticas), em que o mesmo jogo (de futebol) é descrito de tantas maneiras quantos os narradores, embora as narrativas dos adeptos intraclube sejam geralmente idênticas. Certos são os “golos” – embora, segundo alguns, quase sempre discutíveis, irregulares, injustos – os “cantos” e os “cartões amarelos”, por exemplo, embora todos discutíveis, mas (realmente) ocorridos.

Pelo contrário, na História, em geral, não há resposta (segura) relativamente a quantos foram os participantes numa batalha; qual a duração efetiva dos confrontos em várias batalhas; quantidades exatas de mortos e feridos durante as batalhas e as guerras (geralmente bastam estimativas de percentagens!); as estratégias, as táticas e os procedimentos, apesar, frequentemente, das narrativas dos cronistas coevos (entremeadas com mentiras, omissões, erros, incorreções e meias verdades, dificilmente identificáveis).

 

* José Mattoso, no livro “D. Afonso Henriques” [2007], de 432 páginas, sobre o primeiro rei de Portugal, ou, sobre o primeiro rei dos portugueses (coisa diferente de ser rei de Portugal!), diz que “Os principais factos que constituem a matéria narrativa de Afonso Henriques podem-se enunciar em poucas linhas”. Também diz que “… não se pode perceber … uma personagem medieval [e as outras?] sem uma grande dose de imaginação”.

 

** Contudo, por exemplo, a mudança do calendário juliano para o calendário gregoriano, começada em 1582, mas não simultaneamente em todos os países, poderá ser fonte de confusão e polémica. Para além das incertezas intrínsecas das técnicas e métodos de datação.

 

*** Frequentemente, os historiadores veem na História forças, tendências, valores que não estavam, nem na época, nem no local, nem nas mentes dos protagonistas. São frequentes os anacronismos (de perspetiva) nas narrativas históricas, principalmente quando se olha para o passado com olhos/visões do presente.

 

2020‑02‑06

Mais sobre mim

foto do autor

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Arquivo

  1. 2025
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2024
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2023
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2022
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2021
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2020
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2019
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2018
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2017
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D
  118. 2016
  119. J
  120. F
  121. M
  122. A
  123. M
  124. J
  125. J
  126. A
  127. S
  128. O
  129. N
  130. D
  131. 2015
  132. J
  133. F
  134. M
  135. A
  136. M
  137. J
  138. J
  139. A
  140. S
  141. O
  142. N
  143. D
Em destaque no SAPO Blogs
pub