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Medidas e medições para todos

Crónicas de reflexão sobre medidas e medições. Histórias quase banais sobre temas metrológicos. Ignorância, erros e menosprezo metrológicos correntes.

Medidas e medições para todos

Crónicas de reflexão sobre medidas e medições. Histórias quase banais sobre temas metrológicos. Ignorância, erros e menosprezo metrológicos correntes.

MEDIR O MOVIMENTO

MEDIR O MOVIMENTO

Medir em movimento

 

Para os humanos primitivos – ou antes, presumivelmente com os  hominídeos –, os tamanhos das peças de caça, o valor dos territórios das comunidades e a magnitude das dimensões das coisas – distâncias, comprimentos, larguras, espessuras, alturas, profundidades, diâmetros (das árvores, por exemplo), envergadura, entre outros – seriam comparáveis e comparados entre si, ainda que sem um padrão ou bitola comuns, ou unidade explícita, mas exigindo avaliação*.

Como decidir, esforçar‑se, lutar, fugir, perseverar a vida e o corpo, sem avaliação (prévia)?

Aprendemos a medir o movimento (as grandezas associadas ao movimento) e as coisas em movimento: não é difícil perceber quem é mais rápido a correr; e os mais lentos tenderiam a não deixar descendência (ou a deixar menos descendência do que os outros); nem a narrar (talvez grunhindo) o acontecido.

Há movimento no crescimento das árvores; há movimento das placas tectónicas, onde assentam os continentes; há movimento de moléculas na água parada, e o movimento browniano, na superfície da água, por exemplo.

Há movimento no ar e do ar. Por exemplo, os anemómetros medem a velocidade do vento.

Os comboios, os pombos e os automóveis movem‑se (!), e hoje, comparar os movimentos destes pode ser feito com medidas e medições**.

Há várias grandezas associadas ao fenómeno “movimento”: distância, velocidade, aceleração, frequência, energia cinética, impulso, quantidade de movimento ou momentum, ou momento (linear ou angular), entre outras.

Ir do Porto a Braga poderia levar um dia; do Porto a Viana do Castelo levaria dois dias; mas chegamos mais cedo quando corremos, quando nos deslocamos mais depressa; todavia, o conceito de velocidade é recente***.

Hoje, medimos a velocidade do carro, dentro do carro – com o velocímetro – e fora do carro – com cinemómetros (radares). E podemos medir a aceleração do carro, dentro e fora do mesmo.

Medimos as velocidades das aeronaves, as dos comboios e as dos navios, cada tipo com seu critério, princípio metrológico e técnica.

Pesamos o comboio em movimento; pesamos a Terra e a Lua (que ainda não deixaram de se mover) e ocorreu a Arquimedes medir o volume de uma coroa quando ele próprio mergulhou numa banheira.

Media‑se a temperatura antes desta ser definida termodinamicamente (a partir das grandezas “entropia” e “energia”).

 

* Até os gatos, entre outros animais, antes de um salto, calculariam o impulso depois da avaliação do tamanho do obstáculo, intervalo, ou espaço a vencer.

E a decisão de um predador selvagem de atacar ou não uma eventual presa implica a avaliação do tamanho da mesma (presa).

 

** Até (ao tempo de) Galileu, dizia-se – diziam os sábios (uma palavra em desuso) – que os graves (os corpos que se movem por efeito da gravidade) caíam todos com a mesma velocidade, isto é, a velocidade constante; na verdade, caem todos com a mesma aceleração.

(É possível, com tempo, verificar se o que dizem os sábios é crível, sustentável e consistente. Ao contrário, os mensageiros de Deus, em geral, não correm risco de desmentido.)

 

*** Um fulano a quem a namorada disse precisar de tempo e distância perguntava a si próprio se ela estaria a calcular alguma velocidade.

 

2021-10-21

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