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Medidas e medições para todos

Crónicas de reflexão sobre medidas e medições. Histórias quase banais sobre temas metrológicos. Ignorância, erros e menosprezo metrológicos correntes.

Medidas e medições para todos

Crónicas de reflexão sobre medidas e medições. Histórias quase banais sobre temas metrológicos. Ignorância, erros e menosprezo metrológicos correntes.

MEDIR NO ESCURO

MEDIR NO ESCURO

Astronomia e outros domínios

 

Parece ter sido principalmente com a Astronomia* que as medições se multiplicaram, se apuraram e se diversificaram. E os medidores se esmeraram na perseguição da exatidão**.

Foi com a Astronomia que as medições deram um passo gigantesco, um salto qualitativo, e se guindaram a um novo nível, quer pelos (novos) instrumentos, quer pelas medições, quer ainda pelas medidas e pelo processamento das mesmas.

(A Astronomia estimulou e beneficiou do desenvolvimento dos logaritmos, ou do operador matemático “logaritmo”, um auxiliar extraordinário do Cálculo, antes do aparecimento do Cálculo Automático, melhor, dos dispositivos automáticos de cálculo.)

Aparentemente, aquilo que está longe – os corpos celestes – motiva, estimula e entusiasma mais do que o que está perto (os corpos e fenómenos terrestres).

Hoje não é necessário ver para medir: mede‑se no escuro.

A Astronomia está cheia de medições feitas no escuro, na escuridão, na ausência de visão humana (direta), feitas com radiação de fora do espetro visível (dos humanos).

Todavia, no início (?) da Astronomia, só o que se via suscitava curiosidade, interesse e investigação, ainda que com ajudas óticas. O que não se via não existia, como ainda hoje, o que não se vê (ainda que com todas as ajudas tecnológicas disponíveis), não existe.

Hoje, na Astronomia e na Física atómica, não se vê diretamente (quase) nada: escrutina‑se, regista‑se e mede-se o que detetam alguns sistemas físicos; e processa‑se as medidas e tira-se conclusões, e … faz-se um desenho, ou uma pintura: frequentemente uma representação (quase) artística para o público, porque o grande público é que paga e deve ser informado; o público precisa de saber; e poderá o público (ou os mais militantes deste) vir a querer decidir em que projetos de investigação se investe, e quais aqueles em que não se investe. É preciso informar, mimar e comprar o (grande) público.

Aparentemente, bruxos, adivinhos e astrólogos*** leem no escuro (um termo que parece apropriado para descrever os seus métodos, meios e mentes); veem coisas que os mortais comuns não veem: são as “ciências ocultas”.

Mas os astrólogos não parecem ver e vislumbrar todos do mesmo modo (quem pode contestar o que não se vê, mas alguns dizem vislumbrar!?), ao contrário dos investigadores (científicos) que perscrutam o escuro, veem quase todos o mesmo, embora só alguns consigam contar uma história supostamente consistente.

 

* Antes da Astrometria e da Astronomia – localização e descrição dos astros feitas com medições e medidas – só a Astrologia seria corrente, comum e relevante. E muitos nomes sonantes da História da Ciência, incluindo astrónomos, foram astrólogos!

 

** Tycho Brahe [1546–1601], astrónomo dinamarquês, é frequentemente citado pela qualidade das medições que fez e as consequências (científicas) que a exatidão (precisão) conseguida trouxeram à Astronomia, nomeadamente com as conclusões e proveitos que Johannes Kepler [1571-1630], matemático, astrónomo e … astrólogo alemão, conseguiu extrair de tais medidas.

 

*** Recomendava um astrólogo, ou alguém a rogo dele: “Através da nossa calculadora é possível calcular o seu signo ascendente. Para isso só necessita saber o local, a data, hora e minutos exatos (!) do seu nascimento.” (Sublinhados e exclamação do autor desta crónica.)

 

2022-03-03

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