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Medidas e medições para todos

Crónicas de reflexão sobre medidas e medições. Histórias quase banais sobre temas metrológicos. Ignorância, erros e menosprezo metrológicos correntes.

Medidas e medições para todos

Crónicas de reflexão sobre medidas e medições. Histórias quase banais sobre temas metrológicos. Ignorância, erros e menosprezo metrológicos correntes.

MEDIR GRANDEZAS TECNOLÓGICAS

MEDIR GRANDEZAS TECNOLÓGICAS

Uma grandeza, várias medidas

 

As grandezas tecnológicas – em paralelismo, em oposição, ou em contraste com grandezas científicas – têm frequentemente variantes e definições aparentemente arbitrárias, específicas, ou ad hoc. Isto é, com frequência, para muitas grandezas tecnológicas, há mais do que uma definição, e diferentes sistemas, critérios e procedimentos de medição.

Por exemplo, não há só uma grandeza dureza*, ao contrário do que sucede, entre outras, com a grandeza aceleração, a segunda derivada da distância (percorrida por um móvel) em relação ao tempo.

Os critérios, instrumentos e bitolas para determinar, por exemplo, a dureza de um aço, não são os mesmos que os (critérios) usados para medir a dureza de um plástico. Até no conjunto dos aços, uns são medidos com critérios e bitolas diferentes dos de outros (aços).

Mas, não só a dureza: por exemplo, a resistência mecânica também é ambígua: há diferentes resistências (com frequência, pertinentemente adjetivadas), embora se exprimam pelas mesmas unidades. E, entre outras grandezas, também a resiliência** (termo que, na linguagem corrente, por tudo e por nada, está agora na moda, e é quase sinónimo de “teimosia”) tem mais do que uma definição.

Esta é uma das principais particularidades das grandezas tecnológicas: com frequência há mais do que uma definição e mais do que uma bitola‑padrão para a respetiva quantificação (medição).

Diferentes critérios dão, naturalmente, diferentes valores à dureza de um mesmo material (pese embora a elaboração de tabelas parciais de equivalências). E, por vezes, até as “dimensões” metrológicas (a “equação das dimensões”) das mesmas grandezas tecnológicas diferem entre si.

Mas há outros exemplos banais e com tradição***: grandezas como: rugosidade****, toque, rigidez, granulometria, entre muitas outras grandezas (tecnológicas).

 

* A dureza, comummente, tem as “dimensões” de uma tensão; isto é, as durezas (quantificadas), em geral – mas, nem sempre –, são definidas como tensões (força por unidade de área), apesar das várias definições (de dureza). A dureza, por vezes, é quantificada segundo a deformação (um comprimento) produzida por um indentador no material testado.

 

** A resiliência (mecânica), dependendo da definição, exprime‑se, quer em joules por metro quadrado (J/m2) – ensaio Charpy –, quer em joules por metro cúbico (J/m3) – energia armazenada em modo elástico –, diferentemente da(s) resistência(s) que se exprime(m) em pascais, N/m2 (símbolo, Pa), ou, correntemente, em magapascais (melhor do que megapascals, símbolo, MPa).

 

*** O Sistema Metrológico Legal, em Portugal, está baseado no Sistema Internacional de Unidades (SI), contudo, integra também um conjunto de outras unidades (que não pertencem ao SI, embora algumas possam ser aceites) e que poderão ser consideradas unidades de grandezas tecnológicas.

 

**** Quando, com um palpador apropriado, se percorre uma superfície e se amplia a sua trajetória, obtemos uma linha quebrada, como a de um horizonte de picos e vales de um conjunto de montanhas (serra). Para caracterizar este perfil, podemos determinar, entre muitos outros indicadores ou medidas, por exemplo, o desnível entre o pico mais elevado e o vale mais profundo, ou a média dos cinco maiores desníveis, entre muitos outros critérios.

 

2022-05-05

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