MEDIR EM EUROS
MEDIR EM EUROS
O importante é medir
– Cinco testões de açucre, faxabor.
Cinco tostões de açúcar, faz favor.
Um tostão era um décimo de um escudo, a moeda portuguesa de antes da adesão de Portugal ao euro (€). Dez tostões perfaziam um escudo.
O tostão era ainda mais popular do que o escudo. Muitas máximas, ditados e ditos populares recorriam ao tostão, e não ao escudo.
No passado ouvia-se frequentemente aquele tipo de pedido, principalmente nas mercearias de aldeia, na compra de açúcar, arroz e café, por exemplo.
Comprava-se com frequência ao escudo, ao tostão, e não ao quilo, nem ao quilograma.
Ainda hoje se compra quarenta, trinta, ou cinco euros de gasolina, ou gasóleo. Aparentemente, a maioria dos automobilistas compra combustível ao euro, não ao litro. É cómodo e prático por que permite fazer o pagamento com quantias redondas e não provoca o desconforto de sabermos quanto pagamos a mais do que no mês anterior pela mesma quantidade de combustível. Nem se nota que o preço do combustível sobe! Contudo, os cartões bancários estão a simplificar, entre outros produtos, a compra de combustíveis: atestamos o depósito sem reparar na quantidade de litros adquiridos nem no número de euros gastos.
Alguns produtos embalados, nos híper e supermercados, por exemplo, são marcados, destacadamente, em unidades monetárias: um pedaço de abóbora por 1 €, um molho de grelos por 0,80 € e enchidos de vários tipos a 1,5 € cada.
O importante é medir; a unidade parece ser “menos importante”.
Se se pode transformar gramas em libras, metros em polegadas e litros em galões, por que não litros em escudos e gramas em tostões?! Claro que, mudando o preço do produto, concomitantemente muda a equivalência entre tostões e gramas, entre euros e litros!
Aquele tipo de pedido – cinco testões de açucre – era muito cómodo, mas a comodidade tem custos! Para o cliente era muito interessante, mas seria muito mais proveitoso para o vendedor: os arredondamentos, generosos, eram feitos à medida de quem fazia o cálculo. Com frequência, o cliente nem se preocupava com o preço do produto por quilo, e ainda hoje há muitos que não têm tal preocupação.
Hoje, as equivalências entre euros e litros de combustível, por exemplo, são feitas por sistemas automáticos, sem intervenção direta do vendedor, e o risco de sermos lesados, por via das equivalências entre unidades metrológicas e unidades monetárias, é teoricamente nulo.
A unidade monetária, o euro, por exemplo, é muito conveniente e útil para outras atividades que não só o comércio. Através do euro, como através de outras unidades monetárias, podemos estabelecer equivalências entre “litros de óleo”, “quilos de aço”, “quilowatts-hora de energia” e “homens-hora de atividade”, como se faz, por exemplo, nas empresas fabris para apurar o custo de um produto, ou de um serviço. Na área da Contabilidade Analítica, entre outras, podemos somar “quilos de cobre” com “litros de mercúrio” e com “megajoules de energia”, por exemplo.
Uma unidade monetária permite medir todos os fatores de produção, por mais distintas que sejam as grandezas respetivas.
2016-01-21