Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

Medidas e medições para todos

Crónicas de reflexão sobre medidas e medições. Histórias quase banais sobre temas metrológicos. Ignorância, erros e menosprezo metrológicos correntes.

Medidas e medições para todos

Crónicas de reflexão sobre medidas e medições. Histórias quase banais sobre temas metrológicos. Ignorância, erros e menosprezo metrológicos correntes.

MEDIR COM SOMBRAS

MEDIR COM SOMBRAS

E medir com luz

 

Também medimos com sombras, ou com a ajuda de sombras, quer com o espetro visível, quer com o invisível.

Os relógios de sol mediam/medem (o tempo)* com a ajuda da sombra de um ponteiro sobre um mostrador. (Com os relógios de sol não há contagens de impulsos, ou tic‑tacs, mas a observação da posição da sombra de um ponteiro, no seu movimento que acompanha o movimento do Sol, aliás, da Terra, embora o movimento seja relativo. Com os relógios comuns, os ponteiros movem‑se saltando; com os “relógios de sol” a sombra do ponteiro desloca‑se em movimento contínuo; o “relógio de sol” é analógico.)

Na verdade, quando medimos com sombras fazemos medições com luz **. Aparentemente, sem luz não há sombra(s). Sombra – zona de superfície não iluminada – é a superfície contrastada com a superfície iluminada. A escuridão do céu em que o Universo parece estar mergulhado, não beneficia da luz do Sol, conquanto haja incontáveis estrelas iluminando por todo o lado.

Eratóstenes, o primeiro – como é narrado frequentemente – a medir (com sucesso e com exatidão notável) o perímetro terrestre, isto é o perímetro (e o diâmetro) da Terra***, fê‑lo com a ajuda de sombras (e sua ausência) no fundo de poços, em Alexandria e em Siena (atual Assuão), no Egito.

Ainda hoje, em laboratórios avançados, se mede com sombras. Os espetros eletromagnéticos apresentam sombras e zonas iluminadas; e a ausência de certas riscas (frequentemente, sombras) e a presença de outras, como é o caso das franjas de Fraunhofer, revelam fenómenos, factos e grandezas muito importantes.

 

* Anaximandro [610 a.C–547 (?) a.C.] teria sido o primeiro – diz‑se – a medir o tempo, pela observação do movimento da sombra de uma estaca espetada no chão, e, concomitantemente, transformando o tempo, de entidade mística (governada por Cronos, deus do tempo) em grandeza física; isto, naquele tempo, era coisa parecida com heresia!

 

** A luz é onda e, simultaneamente, por postulado recente, um fluxo de partículas – fotões, um termo mais tardio do que o conceito – sem massa em repouso (não há fotões parados), por necessidade física, mas, com momento linear, ou momentum (daí a pressão das radiações sobre superfícies materiais), ensina a Ciência vigente. (Todavia, a sua natureza, onda ou chuva de fotões, dependeria do que estamos preparados para observar e, consequentemente, dos equipamentos com que nos provemos para fazer a observação! Um resultado à la carte?!)

Porém, nunca alguém viu um fotão apesar de, alegadamente, eles nos entrarem a rodos olhos adentro.

De resto, não vemos muitas coisas que a Ciência parece “tratar por tu”.

Hoje, quase não se fala do éter que já preencheu todo o Universo; o éter foi substituído pelo campo, e, depois, pelo tecido espaço‑tempo, mas continuamos com a mesma incontornável e desconfortável ignorância com que vivíamos; aparentemente poucas mais mudanças houve do que as dos termos, palavras e expressões, pesem embora as implicações dos novos modelos descritivos e explicativos.

 

*** Quando a Terra era plana, parece não ter havido alguém (ninguém) que – espantosamente! – sentisse o desejo, a necessidade e a curiosidade de a medir!! (Aliás, a superfície da Terra seria um quadrilátero; daí a expressão ainda frequente: “os quatro cantos do mundo”.)

 

2022-03-10

Mais sobre mim

foto do autor

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Arquivo

  1. 2025
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2024
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2023
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2022
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2021
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2020
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2019
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2018
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2017
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D
  118. 2016
  119. J
  120. F
  121. M
  122. A
  123. M
  124. J
  125. J
  126. A
  127. S
  128. O
  129. N
  130. D
  131. 2015
  132. J
  133. F
  134. M
  135. A
  136. M
  137. J
  138. J
  139. A
  140. S
  141. O
  142. N
  143. D
Em destaque no SAPO Blogs
pub