MEDIR A IDADE DA TERRA
MEDIR A IDADE DA TERRA
Kelvin contra Darwin
Pelo calendário juliano* e segundo um exegeta, a Terra foi criada no dia 23 de outubro de 4004 a.C., às nove horas da manhã, na Mesopotâmia.
Isto sim! Isto é assertividade! Isto é rigor! Isto é precisão! A Terra teria nascido às nove horas da manhã!!, na Mesopotâmia! E a Mesopotâmia estava onde?
Porém, acerca da Terra, e da idade da Terra, houve muitas disputas, discussões e polémicas; e ainda há! A Terra teria sido criada 4000 a.C.; ou 4004 a.C.; ou 3929 a.C., entre outras idades. É só pegar no calendário gregoriano (ou no juliano) e na Bíblia e fazer (as) contas!
Contudo, hoje, imaginamos estas discussões só à mesa do “café” e afins, entre caturras e balhelhas, ou outros opinantes indiferenciados, contumazes e rebarbativos, com conhecimentos e sabedoria especiais, mas, sem dados, nem informação objetiva; talvez com alguns dados e com informação não autenticados, mas com cinismo, com fé, ou só com determinação.
Todavia, à data a que algumas daquelas coisas foram escritas, ou ditas (e ainda aceites por muita gente), não havia a informação autêntica que há hoje.
Com os dados disponíveis na altura, não seria possível ir muito mais longe; descontando as posições provocatórias de alguns. Contudo, ainda hoje, com mais dados, para quem quiser usá-los, há pessoas que, por ignorância, arrogância discursiva, ou provocação militante, continuam a usar os dados primitivos, bíblicos, ou outros.
Com outros dados, diferentes dos dados primitivos que proporcionaram aquelas conclusões – agora risíveis –, parece que Darwin (descobridor da Evolução) e Kelvin (importante contribuinte da Termodinâmica) também se teriam envolvido em polémica acerca do mesmo problema – o da idade da Terra – mas, com argumentos mais substanciais, mais sérios.
Kelvin e Darwin, dois grandes cientistas e dois grandes egos, aparentemente não se admiravam mutuamente e, a certa altura, quando Darwin terá feito saber que a Terra teria cem milhões (100∙106=108) de anos, Kelvin, terá pretendido contrariar aquele valor afirmando que a Terra teria só noventa e sete milhões (97∙106=9,7∙107) de anos.
Kelvin teria feito os seus cálculos com base no gradiente radial da temperatura (variação da temperatura ao longo do raio) terrestre então conhecido.
Darwin teria fundamentado as suas afirmações na extensão temporal (necessária) para os períodos de “evolução das espécies”.
Kelvin parece ter referido que Darwin estava redondamente enganado! Na verdade, para a natureza das bases dos cálculos, e para a diferença entre ambos os resultados (100 contra 97), a diferença de 3% é abissal(?!) (A estimativa presente é de uma idade cerca de cinquenta vezes superior; as aproximações de Kelvin e de Darwin são só cerca de 2% do valor atual!)
Os cálculos de um e outro cientistas seriam consistentes com os dados e informação então disponíveis, mas simplistas, como sucede frequentemente com os precursores de novas áreas do conhecimento.
Na narrativa científica hoje vigente, a idade da Terra é calculada com base nas quantidades de elementos químicos provenientes da decomposição de outros elementos tidos por primitivos e contemporâneos do nascimento da Terra, e seria, indicativamente, de quatro mil e quinhentos milhões (4,5∙109) de anos.
*Hoje, entre nós, está em vigor o calendário gregoriano. Um (juliano) e outro (gregoriano) nasceram com cerca de mil e seiscentos anos de diferença, mas não há grande complexidade em pô-los em correspondência, mesmo regressivamente, para datas anteriores às suas criações. Ademais, não são muito diferentes as datas de um e outro para qualquer evento.
2017-11-02