MEDIR A COR
MEDIR A COR
Arte, Indústria e Ciência da cor
Os colorímetros, presuntivamente, mediriam a cor.
Todavia, a cor não seria mensurável*.
A cor é uma propriedade complexa, mesmo para alguns operadores das máquinas que nas lojas de tintas afinam as cores (das tintas) para as dos objetos de que apresentamos amostras.
Há uma relação direta entre a temperatura de um corpo incandescente e a cor que exibe. A frequência (ou o comprimento) de onda emitida por um corpo dá a respetiva cor.
Comummente, a velocidade é uma propriedade de um corpo em movimento; porém, a cor é uma sensação fabricada pelos cérebros. Por exemplo, os daltónicos constituem um desvio aos videntes normais. (E “de noite, todos os gatos são pardos”.)
Há milhões de cores e não temos palavras para as designar a todas. Por exemplo, o olho humano teria capacidade para distinguir cerca de dez milhões (107) de cores! (Ao contrário, os esquimós, não tendo uma palavra para “branco”, conseguem contudo discriminar algumas dezenas, ou algumas variantes de “branco”, para as quais têm palavras e expressões específicas.)
Podemos medir a cor? Afinal, o que medem os colorímetros**?
Um objeto não radiante, no escuro, continua a ter peso e volume, mas não tem cor por que não emite nem reflete luz visível alguma (pela sua inexistência!).
Quase toda a gente sabe o que é uma flor amarela ou roxa, mas, por exemplo, na indústria, temos de garantir que o tecido vermelho que se entrega ao cliente corresponde ao vermelho que foi encomendado. Vermelhos há muitos.
A cor é grandeza mensurável, como, por exemplo, o comprimento?
Medimos, por exemplo, a luz, o som e a eletricidade? Medimos?!
Melhor, medimos algumas grandezas que associamos a estes fenómenos.
A cor não é uma grandeza (física), é uma sensação: muitos humanos veem a cor (as cores) fora da norma com que a maioria dos humanos a sentem.
A cor de um metal ou liga metálica (acima de cerca de 650 °C) poderá ser usada para medir a sua temperatura (por exemplo, pirómetros de radiação, independentes dos sentidos do medidor). Contudo, os instrumentos de medição não distinguem cores; discriminam comprimentos de onda (das radiações).
Aliás, alguns instrumentos de medição distinguem cores que humanos não veem: radiações ultravioletas e radiações infravermelhas, por exemplo.
* O VIM 2012 considera a cor uma propriedade qualitativa: propriedade dum fenómeno, corpo ou substância, a qual não pode ser expressa quantitativamente. E dá exemplos, entre outros:
EXEMPLO 1 O sexo dum ser humano.
EXEMPLO 2 A cor duma amostra de tinta. (Sublinhado do cronista)
** A Colorimetria é a Ciência, a Técnica e a Arte de medição da cor.
A análise do “fenómeno cor”, pela sua complexidade, lavrou em equívocos durante algum tempo, nos primórdios dos estudos da mesma.
Uma das confusões radicava na mistura de diferentes cores provenientes de vários emissores mais as cores provenientes da reflexão por diferentes corpos.
Um modo, ou técnica particular de determinar uma característica de um mineral é observar a cor da marca que ele produz quando, riscando um “testemunho” apropriado, por exemplo, uma porcelana rugosa, observamos o pó que o mineral deixa ou deposita na placa riscada. Este risco, este “pó” (“traço” ou “risca”) tem frequentemente cor diferente da (amostra macroscópica) do material de onde provém!
2020-11-05