MEDIDAS NEGATIVAS
MEDIDAS NEGATIVAS
Medidas “absolutas” e medidas relativas
Embora estejamos habituados a ouvir falar de cargas elétricas positivas e de cargas elétricas negativas – não conseguindo nós, em geral, consubstanciar materialmente a diferença entre elas –, ainda não entendemos o que seriam “massas negativas” *.
Desde tenra idade, por aqui, estamos acostumados às temperaturas negativas. Contudo, –1 °C, que nos faz tiritar de frio, é o mesmo que +30 °F, um valor aparentemente confortável para, por exemplo, ingleses.
E, para muitos, se puxam com a força “F”, acham natural que “– F” seja a expressão para empurrar com a mesma força.
Além disso, quando, por exemplo, lidamos com forças eletromagnéticas, sabemos haver “forças de atração” e “forças de repulsão”.
Todavia, as distâncias – parece‑nos –, não poderão ser senão positivas; o que seria uma distância negativa?
Porém, deslocando‑nos ao longo de uma determinada direção, em geral, poderemos mover‑nos num sentido e no sentido oposto, para a frente e para trás, e parece cómodo, para mantermos o controlo contabilístico das deslocações, contarmos (arbitrariamente) os deslocamentos num sentido como positivos, e no sentido oposto como negativos**. Os sinais “+” e “–“ parecem símbolos e marcadores úteis, cómodos e adequados, para a sinalização, e para o controlo e a contabilidade das variações de muitas grandezas.
Nas datações, temos – não todos nós – a convenção dos eventos ocorridos antes do nascimento de Cristo (a.C., ou b.C., em inglês) como datas negativas, representadas pelo sinal “–“, e depois do mesmo nascimento (d.C., ou AD, Anno Domini, expressão latina para Ano do Senhor, por exemplo, para os ingleses), representada pelo sinal “+” ***.
Também é cómodo e (matematicamente) conveniente, quando manuseamos símbolos de, por exemplo, forças, substituir o termo “puxar” pelo sinal “+” e o termo “empurrar” pelo sinal “–“
* Cargas elétricas positivas (ou negativas) repelem‑se; massas “positivas” atraem‑se. E a Física também admitiria agora massas “negativas”, que se repeliriam. (Aliás, “massas negativas” repelir‑se‑iam entre si, e repeliriam as “massas positivas”. Em suma, as massas negativas seriam repelentes.)
** Todavia, se fizermos isso de modo regular, e houver muita gente a fazer o mesmo, poderá ser útil e necessário estabelecer convenções quanto ao procedimento para estabelecer o que seria um deslocamento positivo, ou um deslocamento negativo.
*** Para esta convenção temos um óbice: o calendário não consente/contempla o valor zero: o ano que precede o ano 1, ou +1, é o ano –1 e não o ano zero, ao contrário do que ocorre na reta (matemática) de representação dos tempos, ou do tempo.
(Aparentemente, com os modelos da realidade de Einstein, o tempo poderia ser percorrido, como o espaço, num e noutro sentidos, para o futuro e para o passado. Porém, é difícil aceitar que “a sopa de peixe pode tornar a ser aquário”, e que a chávena que cai no chão e se estilhaça poderia elevar‑se de novo e voltar a integrar-se. Na reta do tempo haveria um sentido único – a “seta do tempo” – que lhe retiraria retroatividade. Será a putativa ressurreição uma perceção pré‑einsteiniana do tempo? Retroatividade, aparentemente, só nos impostos, e apenas em alguns países.)
2024-03-14