MEDIDAS FIDEDIGNAS
MEDIDAS FIDEDIGNAS
Estimativas, palpites e adivinhações
Estimativas, palpites, adivinhações, achismos, enganos e mentiras com medidas parecem ser muito frequentes.
Em geral, gostamos de dados – incluindo medidas – fidedignos. Todavia, com alguma descrença instalada, nem com atestado de fidedignidade esta qualidade essencial parece universalmente credível.
“Fidedigno” não é termo que conste do VIM 2012 (Vocabulário Internacional de Metrologia, 2012), embora lá conste “fidelidade” * (o mesmo que “precisão de medição”).
Contudo, esta palavra (fidedigno) é usada com muita frequência, sobretudo quando estão em jogo dados e informação, incluindo medidas. (Todavia, muitas pessoas têm tendência a duvidar da informação dos declarantes que acompanham as suas declarações com qualificativos como, por exemplo, “verdadeiro”, “fidedigno”, “inquestionável”.)
Os números redondos – principalmente os números redondos –, na boca, ou na pena (ou caneta) dos não metrólogos, são frequentemente suspeitos.
Se há necessidade de referir que as medidas são fidedignas, é porque haverá algumas, incluindo as declaradas fidedignas, que não o são.
Antigamente (pelos padrões, critérios e procedimentos de hoje), poucas medidas seriam fidedignas; era frequente a expressão “dois pesos e duas medidas” significando (fundamentalmente) que quem tinha os instrumentos os manipularia**.
Todavia, se uma medida não é fidedigna … não é uma medida***.
As medidas seriam todas fidedignas, não fossem alguns agentes, amadores, impostores, incompetentes, fazerem uso de falsidades, manipulações e dolo.
* Fidelidade ou precisão de medição: Grau de concordância entre indicações ou valores medidos, obtidos por medições repetidas, no mesmo objeto ou em objetos similares, sob condições especificadas. [VIM 2012]
** Esta expressão (“dois pesos e duas medidas”) tem uma origem bastante prosaica, ligada à fraude e ao dolo, no comércio, quando os instrumentos não estavam tão disseminados, vulgarizados e banalizados como hoje, e quando poucas “coisas” eram medidas, e ainda menos controladas.
Houve tempos em que alguns comerciantes tinham instrumentos com que pesavam ou mediam o que compravam, e outros instrumentos – ou os mesmos, ajustados de modo diferente – para medir o que vendiam.
Os instrumentos que alguns comerciantes usavam como compradores mediam por defeito, isto é, mediam menos do que o valor real; os instrumentos que os mesmos comerciantes usavam como vendedores, mediam por excesso, isto é, mediam mais do que o valor real. Seria um modo irregular de estar no comércio, já que tais comerciantes pagavam e recebiam de acordo com as medições que os mesmos faziam.
Hoje, as fraudes com medições serão mais sofisticadas e menos comuns.
*** “O presidente da Câmara X, Sicrano, corrigiu hoje para cerca de 250 quilos a quantidade de hidrocarbonetos derramados no Terminal Y do porto Z, corrigindo a indicação de três toneladas que inicialmente tinha avançado”, contavam, há tempos, alguns média (mídia).
2022-04-21