MEDIDAS E INDICADORES
MEDIDAS E INDICADORES
Rankings, classificações e outras métricas
“Quem não tem cão, caça com gato”; quem não tem métricas metrológicas usa rankings, barómetros ou métricas ad hoc, com critérios vários, como, por exemplo, quantificação, ordenação, comparação.
O que é desigual induz, cria e justifica, a necessidade de comparação, cotejo e eventual medição. E o que parece igual, também não dispensaria – aliás, exigiria – medição.
Até (as chamadas) partículas elementares, como, por exemplo, os eletrões e os fotões – a designação de “partícula”, para o fotão, exigiu muitas reuniões de sábios –, não são todas iguais entre si. (Algumas partículas subatómicas parecem ser virtuais, mas são impostas – “simetrias” e “invariâncias” obligent – pela força de teorias vigentes).
A igualdade seria só possível à temperatura do zero absoluto (repouso absoluto); e, entre humanos, a igualdade seria possível na ignorância generalizada, na inação, na inércia e na impotência absolutas.
A igualdade (ou a sua perceção) dispensaria a medição*, pensa‑se; ao contrário, a desigualdade incentivaria a medição.
Um primeiro nível de quantificação, embora arbitrário, qualitativo e subjetivo, poderá ser o dos advérbios de quantidade, ou de intensidade**.
(Todavia, haveria até métricas do coração e métricas do cérebro: umas instantâneas e outras ponderadas[?!])
São em número indeterminado as métricas para estabelecer, por exemplo, ratings, rankings, notações, classificações, gradações, elencagens, indicadores, listagens, pontuações, enumerações e ordenações***.
No futebol, em geral, não temos dúvidas quanto à qualidade, relevância e valor de um jogador transacionado por cento e vinte milhões de euros (120 M€), comparado com outro comprado/vendido por três milhões de euros (3 M€).
A legitimidade das classificações, ordenações e gradações assenta na aceitação respetiva mais ou menos generalizada; não necessita da fundamentação objetiva, prática, experimental, laboratorial, que, em geral, eliminaria potenciais polémicas.
* O que para uma pessoa comum é branco, para o técnico de colorimetria é ambíguo se não for possível determinar que tipo de branco está a ser referido. Diz‑se que os esquimós comuns discriminariam dezassete (17) tons de branco. Mas os tons de branco tecnicamente reconhecidos são em muito maior número.
** Advérbios de quantidade ou intensidade mais comuns: bastante; quase; mais; menos; muito; pouco; tanto; tão; demais; demasiadamente; assaz.
*** As medidas (intensidades, quantidades, graus) permitem as ordenações, por exemplo, dos valores mais baixos para os valores mais altos (das respetivas quantificações); porém, só é possível medir grandezas; em geral, não se pode medir entidades que não sejam definidas inequivocamente, nem para as quais não há métricas objetivas, quantificadas e quantificáveis: por exemplo: sentimentos, emoções, decisões, entre muitas outras características não seriam mensuráveis. (Todavia, lemos e ouvimos falar, às vezes, de, por exemplo, “amores de perdição”, isto é, de “grandes amores”; e se há “grandes amores”, haverá também, pelo menos, os “médios” e os “pequenos amores”.)
2023-03-16