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Medidas e medições para todos

Crónicas de reflexão sobre medidas e medições. Histórias quase banais sobre temas metrológicos. Ignorância, erros e menosprezo metrológicos correntes.

Medidas e medições para todos

Crónicas de reflexão sobre medidas e medições. Histórias quase banais sobre temas metrológicos. Ignorância, erros e menosprezo metrológicos correntes.

MEDIDAS DOS CORPOS HUMANOS

MEDIDAS DOS CORPOS HUMANOS

Quem mede e quem guarda as medidas

 

A Natureza parece ser feita (e fazer tudo?!) “com número, peso e medida”, ou “com conta peso e medida”; e os antigos tê‑lo‑ão percebido e ter‑se‑ão apressado a declará‑lo, por exemplo, na Bíblia. (Contudo, “Há mais coisas entre o céu e a terra do que pode imaginar a nossa vã filosofia” * e, porventura, não mensuráveis, por incomensurabilidade, isto é, falta de padrão/referência, ou por falta de interesse ou necessidade.)

E nós (somos “Natureza”?), momento a momento, circunstância a circunstância, caso a caso, como poderemos tomar conta de nós próprios? Medindo‑nos e fazendo comparações com referências, bitolas e padrões?! (A medicina hodierna tende a ser preventiva e recorre às medições para detetar, através das medidas, e por antecipação, irregularidades, anomalias e disfunções.)

Que grandezas (fisiológicas, biofísicas e bioquímicas, entre outras) e que medidas nos governam? Que grandezas orgânicas são fundamentais, essenciais e incontornáveis no funcionamento dos nossos corpos?

Apesar de na Natureza tudo ocorrer “com conta, peso e medida”, Ela (a Natureza) saberá o que fazer com essas quantidades, valores e medidas**? (Claro que sabe!, mas poderá não fazer – e não faz! – o processamento de tudo a nosso favor!)***

E quem recolhe, processa e guarda as nossas medidas, as medidas de cada um de nós? Em geral não sabemos, mas presumimos que estejam armazenadas em mais do que um local, entre clínicas, centros de saúde e hospitais. Nem sabemos que uso estará a ser dado às mesmas (medidas), e por quem são partilhadas. (Sabemos que essas medidas são usadas, por exemplo, para estudos estatísticos, académicos, ou científicos, alegadamente sem identificação dos pacientes.)

Quando se deteta, em algumas pessoas, valores intoleráveis, por exemplo, de algumas grandezas fisiológicas, grandezas com valores fora dos limites convencionalmente toleráveis, poderíamos culpar a Natureza – à qual, necessariamente, pertencemos –, de não gerir bem o sistema, o nosso sistema, o nosso organismo?!

 

* William Shakespeare [1564 – 1616] – in Hamlet

 

** Quantos batimentos fará, neste e nos próximos instantes, o coração de cada um de nós? E a pressão (tensão) sanguínea, ou arterial, que valores terá? E o pH do sangue?

Não conhecemos a quantidade de urina que, a cada segundo armazenamos na bexiga, mas sabemos (mais ou menos), isto é, percebemos quando convém drená‑la; será um indício, um sinal, um indicador, da boa gestão que a Natureza faz de tudo?!

A Natureza avisa‑nos (?) quanto a algumas anomalias no nosso organismo, mas, não parece dar‑nos sinais (e muito menos, medidas) relativamente a muitas outras anomalias, irregularidades e disfunções.

 

*** A Natureza não salva quem se lança da janela de um décimo andar; quem bebe (álcool) desmesuradamente, e quem não se escusa a comer desalmadamente (salvo alguns casos milagrosos relatados, mas não cientificamente certificados).

 

2023-12-14

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