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Medidas e medições para todos

Crónicas de reflexão sobre medidas e medições. Histórias quase banais sobre temas metrológicos. Ignorância, erros e menosprezo metrológicos correntes.

Medidas e medições para todos

Crónicas de reflexão sobre medidas e medições. Histórias quase banais sobre temas metrológicos. Ignorância, erros e menosprezo metrológicos correntes.

MEDIDAS DE NÍVEIS PERIGOSOS

MEDIDAS DE NÍVEIS PERIGOSOS

Quem disse que é perigoso?

 

No passado, por vezes, mineiros e espeleólogos levavam canários quando se embrenhavam nas minas ou nas grutas, para saber se o ar, lá dentro e lá em baixo, seria respirável.

Aparentemente, os canários são muito sensíveis ao monóxido de carbono (CO), entre outros gases tóxicos, e, antes de os humanos sentirem algum incómodo, os mesmos canários desesperavam, ou morriam.

E porque sacrificar canários? E se o canário escolhido é super-resistente ao CO e os indícios de aflição que apresenta são tardios acabando por conduzir a resultados dramáticos para os humanos?

Níveis perigosos, para as pessoas, há muitos: ambientais, individuais e comportamentais.

O padre, depois de benzer o motociclo, avisou o motociclista e a namorada: –  Deus protege até aos 80 km/h, acima disso ficam por vossa conta.

Está estabelecido o limiar do nível perigoso de velocidade para motociclos!

Nas autoestradas portuguesas, circular a 121 km/h só seria mais perigoso do que circular a 120 km/h por causa das multas!

Todavia, algumas pessoas fazem do perigo um modo de vida, geralmente por algum, ou vários tipos de ignorância, inconsciência ou jactância.

Alguns níveis ditos perigosos respeitam a variáveis clínicas relativas a pessoas, outros ligam-se, por exemplo, ao ambiente, e, quer uns, quer outros, são referências, padrões, ou valores que mudam com frequência.

Os valores atribuídos aos níveis perigosos podem ter uma intensidade num país, ou conjunto de países, e outras intensidades em outras regiões, variando também com as circunstâncias. Em algumas regiões, frequentemente o valor dos níveis perigosos varia com o tempo, com as circunstâncias, com as descobertas que vão sendo feitas e as convenções e normas que vão sendo estabelecidas, ou adotadas.

Os níveis dos fatores perigosos são determinados por medidas, resultados de medições, e as medições são realizadas, em princípio, por entidades independentes, sem interesse direto nos resultados.

Os níveis perigosos tanto poderão dizer respeito, por exemplo, ao colesterol, por dentro, no sangue, como, por fora, relativamente aos UV (raios ultravioleta), primordialmente na praia; ao rádon, na escola e outros locais; ou ao monóxido de carbono (CO), na cidade.

É preciso medir os níveis para sabermos se os valores são perigosos.

A medida é objetiva; o perigo poderá ser subjetivo, discutível, circunstancial.

Agora, até os preços dos alimentos poderão atingir níveis perigosos!

Como se chega a esses níveis perigosos? A esses valores perigosos?

Agora sabemos o que nos mata, melhor, o que nos pode matar. Não conhecemos com as mesmas certeza, clareza e segurança os níveis perigosos que matam as instituições, as regiões, as civilizações.

Sem medições não temos conhecimento do perigo a anteriori.

Sem medições não há níveis perigosos, eventualmente, só fatores mortais, com constatação a posteriori. Medir é determinante para conhecer e decidir.

O conceito de nível perigoso só faz sentido quando somos capazes de medir.

E um nível perigoso, o limiar do perigo, é uma convenção. Há convenções ponderadas, e há outras convenções que, aparentemente, não o são.

As medições obedecem, ou devem obedecer, sempre aos mesmos princípios. O que fazemos com as medidas é outra estória.

 

2016-11-17

 

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