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Medidas e medições para todos

Crónicas de reflexão sobre medidas e medições. Histórias quase banais sobre temas metrológicos. Ignorância, erros e menosprezo metrológicos correntes.

Medidas e medições para todos

Crónicas de reflexão sobre medidas e medições. Histórias quase banais sobre temas metrológicos. Ignorância, erros e menosprezo metrológicos correntes.

MEDIDAS – COMO AS CEREJAS

MEDIDAS – COMO AS CEREJAS

Uma medida puxa por mais medidas

 

Frequentemente, uma medida pede, ou puxa por mais medidas.

(Há um ditado popular – português – que diz: “as palavras são como as cerejas”: uma puxa as outras: quando se puxa por uma, outras vêm agarradas, e deste modo umas arrastam as outras.)

Com alguma frequência, para não termos dúvidas acerca de algumas medidas, promovemos medições de controlo, quer repetindo as medições*, quer fazendo outras medições que estariam relacionadas com as primeiras e permitiriam confirmar (ou não) a sua fidedignidade, ou as hipóteses, os diagnósticos, as presunções de técnicos de várias áreas.

Por outro lado, com frequência, as medidas carreiam uma mesma característica de incompletude: sugerem, pedem, conduzem a outras medidas; as medidas seriam como as cerejas: umas puxam por outras.

É frequente o médico, perante os valores de algumas grandezas fisiológicas, ou outras, decidir fazer mais uma requisição a solicitar mais alguns exames, mais algumas análises, mais algumas medições, principalmente quando (ainda) tem dúvidas quanto ao diagnóstico. Sucede também, frequentemente, nas atividades e processos científicos, quando as medidas não confirmam (ou confirmam) as hipóteses, as espectativas e as convicções pressentidas pelo investigador.

Na indústria, com os processos de fabrico sob controlo, em geral, “medido um, estão todos medidos”. Quando os processos não estão sob controlo, “medido um, convém medir todos”.

E, correntemente, quando depois de fazermos medições começamos a fazer cálculos, muitas vezes descobrimos que necessitamos de mais medidas: necessitamos de medições adicionais.

Um dado conjunto de medidas não é quase nunca suficiente, principalmente nas áreas científicas, técnicas e industriais.

Há medidas que dependem, ou que estão associadas – intrinsecamente ligadas – a outras medidas (por estarem intrinsecamente ligadas as respetivas mensurandas): a hipotenusa de um triângulo retângulo depende das medidas dos catetos; a medida da hipotenusa poderá servir de controlo (através do teorema de Pitágoras) das medidas dos catetos.

A dilatação de uma barra depende do valor da temperatura: medir a temperatura e calcular a dilatação poderá servir de controlo ao valor obtido na medição da barra dilatada.

Isto é válido para um número indeterminado de casos governados por leis físicas, ou outras, onde medir uma grandeza confere conforto e controlo para os valores de outras grandezas relacionadas com a primeira.

Também os valores das incertezas das medições indiretas poderão suscitar replicação das medições diretas. (Em geral, aumentar o número de repetições das medições diminui a incerteza do valor representativo da medida.)

Quando os processos de medição não estão formalizados e protocolados, por exemplo, em normas, nem estabelecidos em rotinas, as medições únicas são quase sempre insuficientes. De modo idêntico, quando estamos incipientemente em processos tentativos e ainda não sabemos ao certo o que medir, ou ainda porque tem havido evoluções que obrigam, ou recomendam, mais medições.

 

* Há necessidade de repetições das medições em ambientes como o do domínio científico em que a minimização das incertezas é fundamental: mantendo-se tudo igual, a incerteza de medição depende do número de iterações, ou de repetições de medições. E até os protocolos para a medição da pressão arterial (vulgo, tensão) explicitam várias medições.

 

2024-03-21

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