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Medidas e medições para todos

Crónicas de reflexão sobre medidas e medições. Histórias quase banais sobre temas metrológicos. Ignorância, erros e menosprezo metrológicos correntes.

Medidas e medições para todos

Crónicas de reflexão sobre medidas e medições. Histórias quase banais sobre temas metrológicos. Ignorância, erros e menosprezo metrológicos correntes.

MEDIÇÕES E DESCOBRIMENTOS

MEDIÇÕES E DESCOBRIMENTOS

Medindo sabes onde estás e aonde foste

 

Até há pouco, como no tempo dos achamentos e descobertas de Novas Terras e estabelecimento de novas rotas marítimas, media-se o céu para navegar, circular, ou andar no mar.

 – Navega e mede, e na próxima vez saberás se foste mais longe do que em vezes anteriores;

 – Se medes, sabes onde deverás recomeçar na próxima vez.

Para persistir nos descobrimentos era necessário calcetar as rotas marítimas – reencontrá‑las, reconhecê-las e familiarizar-se com elas – fazendo medições, muitas medições, ainda que com rigor limitado*.

 – Medindo, não só sabes onde estás, mas também aonde poderás ir.

Hoje é muito simples navegar, por exemplo, com GPS.

As descobertas e achamentos, durante as grandes navegações, ficaram a dever muito às medições, entre outras novas tecnologias – mormente as de arquitetura, engenharia e construção navais – que, combinadas, congregadas e bem geridas proporcionaram os achamentos e descobertas.

Cartografar as terras, rios e mares por onde iam passando os navegadores (e outros) exigia medições e medidas, ainda que de exatidão incipiente, mas consistente com a época, os métodos, os instrumentos e os conceitos – entre outras ferramentas teóricas, analíticas e materiais – então disponíveis.

Os mapas e cartas (geográficas, topográficas e outras) são repositórios de medidas – principalmente as cartas –, mas nem sempre excelentes.

(Dizia um cartógrafo: os nossos erros podem causar naufrágios … mas nós nunca vamos ao fundo.)

Grandes feitos alicerçam-se quase sempre em bases sólidas. Contudo, mantendo-se as bases sólidas, poderão esmorecer – e esmorecem –, ou podem acabar – e acabam –, por exaustão, os grandes empreendimentos – como aconteceu com as navegações e subsequentes descobertas e achamentos. A finitude da Terra, a concorrência de outros povos e o cansaço (desilusão e diminuição do ratio esforço/proveito, ou custo/benefício) determinam a diminuição da intensidade dos esforços de navegação e frequentemente o seu fim.

As grandes navegações, entre outros fatores, basearam-se em novas tecnologias soft ** (técnicas de observação, cartografia, tabelas e técnicas geométricas) e novas tecnologias hard (navios, velames e instrumentos de medição, por exemplo).

Foram criados, ou melhorados e aperfeiçoados, alguns instrumentos de medição (“agulha” de marear, balestilha, astrolábio e quadrante, entre outros). As tecnologias em que assentaram as navegações e os descobrimentos eram – em parte muito substancial – também tecnologias de medição. Algumas eram novas tecnologias novas.

As medidas dispensam a memória; dispensam os atores anteriores; medindo, podemos substituir e dispensar os atores e os sábios, sem perda de informação.

 – Se medes, é mais fácil passar a informação; se não medes, poderás passar a fé, a crença, a convicção e a opinião, que, não sendo descartáveis, não são boa base para projetos e novos empreendimentos.

A informação baseada em dados de medições é objetiva, repetível e confiável.

 

* O rigor é um conceito temporal ligado à época e às técnicas e tecnologias contemporâneas a que o mesmo é referido; o rigor é sempre limitado!

“Rigor” não é termo metrológico, não consta no VIM 2012.

 

** Pedro Nunes, Petrus Nonius [1502 – 1577], ainda fez algumas contribuições.

 

2020‑04‑16

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