MEDIÇÃO DO MÉRITO
MEDIÇÃO DO MÉRITO
Meritometria
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As democracias têm como uma das suas cara(c)terísticas mais relevantes a contagem de votos – um fator objetivo, simples e praticamente universal para medir os desejos, as vontades, as expe(c)tativas (dos votantes) de uma coletividade, comunidade, ou sociedade.
A meritocracia – um sistema em que prevaleceria o mérito como critério de acesso a escalões mais elevados de uma organização, nomeadamente a liderança –, aparentemente, pretende apresentar-se a todos e a si própria, como objetiva, impessoal e universal. E a meritometria seria o processo de medir, quantificar, ou estimar o mérito e, consequentemente, o critério de ascensão profissional.
A antiguidade (fator mensurável) já foi fator de promoção, hierarquização, ou de condição e critério para, por exemplo, complemento salarial, no emprego. Principalmente na função pública.
A antiguidade permite acumular experiências … antigas, com frequência experiências cada vez menos relevantes, pela obsolescência, inutilidade e ineficiência das mesmas (experiências).
Embora na carreira profissional a antiguidade esteja hipoteticamente ligada à experiência, parece que esta não seria, hoje, tão relevante como o mérito, enquanto critério de promoção e progressão profissional pessoal.
Em muitas áreas, estar familiarizado com as novas tecnologias, por exemplo, as de Informação, seria mais relevante do que a “experiência profissional”, seja qual for o significado que a isso se der.
O mérito, hoje, é referido e apresentado como o critério, a condição, sem opção admissível, para a avaliação do valor, capacidade e utilidade de alguém num grupo, numa rede, numa estrutura profissional.
Profissionalmente, medir a antiguidade é fácil, objetivo e inambíguo. Medir o mérito será menos objetivo do que medir a antiguidade.
Medir o mérito não é simples nem fácil, mas muito conveniente se formos nós, os interessados, a definir o mérito.
O que fazer com a “medida” antiguidade é uma questão aparentemente polémica, raramente integrando a “medida” do mérito.
Entretanto, a métrica do mérito, a medição do mérito, deveria ser:
1 – impessoal, para que seja independente de juízos subjetivos;
2 – objetiva, observável, confirmável por qualquer pessoa;
3 – quantificável, mensurável, ou estimável, sem polémica.
A medição do mérito poderá ser complicada: a avaliação do mérito é geralmente subjetiva, local, controversa, e até circunstancial e sujeita a distorções.
A avaliação do mérito é quase sempre polémica e relativamente fácil de manipular e instrumentalizar. É fácil e frequente, por exemplo, a mudança de critérios, ou a composição de fatores de avaliação do mérito. Com frequência, em muitos locais, comunidades e instituições, quem é incumbido de definir, objetivar e operacionalizar medidas baseadas no mérito é direta ou indiretamente parte interessada nos resultados das referências*, padrões e aferições.
*As elites costumam medalhar-se a si próprias. Em Portugal, o Estado atribui regularmente condecorações através da Ordem do Mérito.
2019-03-07