MEDIÇÃO AUTOMÁTICA
MEDIÇÃO AUTOMÁTICA
Medição sem intervenção humana?
Se a água dentro de um tacho, ao lume, junto ao mar, começa a ferver, isso significa que a temperatura da mesma (água) será de cerca de 100 °C. Em princípio, não necessitamos de termómetro algum para constatar, para confirmar, este valor.
A água (pura), a ferver – à “pressão normal” –, indicia temperatura de cerca de 100 °C. (Foi uma convenção feita para estabelecer a escala Celsius!)
A geada que pela manhã detetamos nas folhas da grama do relvado e em outra vegetação geralmente rasteira, indicia que a temperatura terá sido inferior a 0 °C. (As medições daquelas temperaturas, com certeza absoluta, confirmariam isto. Foi a fusão do gelo o ponto escolhido para fixar o valor 0 °C!)
O conhecimento dos fenómenos físicos permite-nos, a partir da sua observação, associar as respetivas causas, ou antecedentes, por exemplo, às temperaturas de ocorrência dos mesmos fenómenos*.
Reduzir, minimizar, ou, eventualmente, eliminar a intervenção humana em um processo (artificial) constituirá, em princípio, várias vantagens.
A tecnologia, frequentemente, mitiga, ou elimina, os erros, os enganos e as inconsistências dos humanos. Por isso, há cada vez mais medições feitas por quem não entende os processos, mas usa tecnologia de medição avançada. Aliás, como em todas as áreas onde as tecnologias se entranham e se espalham, a inteligência integrada nos instrumentos dispensa a dos humanos que os utilizam.
Contudo, nada é totalmente automático; automático terá sido o aparecimento e o desaparecimento de espécies vegetais e animais de que nem sequer temos conhecimento: apareceram e desapareceram sem as termos visto, sem termos intervindo.
A automatização, no âmbito da Engenharia e da Tecnologia, é uma questão de grau; nada há totalmente automático; a automatização tem sido um processo progressivo.
Os automatismos são geralmente mais consistentes, confiáveis e eficazes do que os (seres) humanos, principalmente nas rotinas; contudo, nas ocorrências incomuns, para já, nem por isso!
A evolução da tecnologia metrológica vai reduzindo progressivamente a necessidade e a intervenção de metrólogos, de metrologistas, ou de medidores qualificados nos processos de medição.
A tecnologia metrológica dispensa cada vez mais a experiência e a inteligência (metrológica) do utilizador humano.
Com sistemas de medição automatizada, trabalhadores sem qualificações específicas podem ser … medidores especializados.
Software e hardware de medição vão integrando cada vez mais os sistemas de medir tornando-os autónomos, inteligentes e (con)fiáveis.
Muitos sistemas de medição automática estão integrados em outros sistemas, fazendo parte, por exemplo, dos sistemas de produção, transporte ou fabrico.
Como todos os sistemas automáticos, os sistemas de medição automática (ainda) necessitam de supervisão … humana. (Os humanos também falham, e falham mais. Porém, com redundâncias de supervisão e/ou convenientes hierarquias de supervisão humanas ou artificiais as coisas melhoram.)
* A mudança de estado da água, por exemplo, do estado sólido para o estado líquido, à “pressão normal”, ocorre, por definição e convenção, a 0 °C (isto é, 32 °F, ou cerca de 273 K). Esta mudança de estado ocorre um número indeterminado e incontável de vezes na Natureza. A Natureza sabe que a temperatura chegou a 0 °C? Além de ser um supercomputador indescritível, está ela (a Natureza) munida de sensores e medidores sempre prontos a assinalar, entre outras grandezas, as temperaturas das mudanças de estado da água (pura)?
A Natureza mede? E os nossos sistemas automáticos, quando nós não estamos a ver, medem?!
2022-09-01