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Medidas e medições para todos

Crónicas de reflexão sobre medidas e medições. Histórias quase banais sobre temas metrológicos. Ignorância, erros e menosprezo metrológicos correntes.

Medidas e medições para todos

Crónicas de reflexão sobre medidas e medições. Histórias quase banais sobre temas metrológicos. Ignorância, erros e menosprezo metrológicos correntes.

MASSA OU PESO?

MASSA OU PESO?

Cinco quilos ou cinquenta newtons de maçãs?

 

Ao peso, ou à unidade? – perguntamos, por vezes, ao vendedor. Ao quilo ou ao molho, por exemplo.

Um quilo de cebolas é cebola ao peso ou à massa? – perguntam muitos. Compramos segundo a massa ou segundo o peso?

Para o “grande público”, massa é dinheiro. Pesado é o que já passou pela balança.

Quilograma – vulgo, quilo – é a unidade de massa no SI (Sistema Internacional de Unidades). O quilograma-força (kgf), unidade (de força) num sistema diferente do SI, é a força gravitacional terrestre que se exerce sobre o quilo.

Se pagamos a massa do pedaço de carne que adquirimos, por que chamar-lhe peso, uma força? Será mais um caso, entre muitos, de expressão popular desadequada?

Para o “grande público”, peso não é massa nem força: é o que a balança indica.

O peso é uma grandeza vetorial; a massa é uma grandeza escalar. Peso é a medida que mostram os visores das balanças. Não há ninguém que não saiba o que é o peso.

Mas por que não se compra em moles?, sendo a mole – o mol, em brasileiro – símbolo SI, mol, a unidade de substância. Uma mole tem o mesmo valor em toda a parte!

Muitas palavras não significam o mesmo para um cidadão comum e para um técnico.

Contudo, no comércio não se fala em massa: só peso. Com massa pagamos o peso.

Mas, medimos a massa através do peso. O peso é a força gravítica subtraída da impulsão do ar (tudo está imerso no ar).

Uma balança como as dos supermercados – um dispositivo dinamométrico –, sem alteração da afinação (após calibração), daria os mesmos resultados a nível do mar e no pico do Evereste? Seguramente que não, quer pela atração gravítica – menor no pico do que ao nível do mar –, quer pela densidade (massa volúmica) do ar. Ora a massa, tirando pormenores ou pormaiores relativísticos, é constante.

As balanças respondem às pressões (forças) de um dedo e apresentam um valor, ou leitura, para cada pressão (força): qual é a massa do dedo?

Que valores leria o paraquedista na balança que o suportasse, colocada sobre o alçapão do avião de onde se deixa cair, antes e depois da abertura do mesmo alçapão? Não, na verdade não há alçapão! Mas, se houvesse?, e se houvesse ainda uma balança, como as que usamos para nos pesarmos em casa?!

Do ponto de vista teórico pode considerar-se 2 massas: 1 – massa inercial (m=F/a, de F=m·a, força=massa·aceleração); 2 – massa gravitacional (m=F·d2/(G·M), de F=G·m·M/d2, força gravítica). A primeira – massa inercial – é uma medida da resistência de um corpo ao movimento, a segunda – massa gravitacional – é um dos fatores que determinam a força gravítica sobre um corpo.

Parece haver uma só massa verdadeira, e duas grandezas mássicas distintas: 1 – a que é responsável pela inércia; 2 – a que responde à gravidade. Duas massas distintas, mas, aparentemente, uma só massa verdadeira. Qual é que compramos?

Quase todas as balanças modernas são dispositivos dinamométricos: reagem às forças, todavia as escalas das balanças são graduadas em unidades de massa. Uma balança resolve a equação m=F/g (massa=peso/aceleração da gravidade); do mesmo modo que um termómetro de mercúrio mede o comprimento da coluna do mesmo (mercúrio), mas está graduado em unidades de temperatura.

Contudo, cinco quilos de maçãs, por exemplo, transportadas à cabeça, pesam quase cinquenta newtons!

 

2016-01-14

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