LIMITAÇÕES DAS MEDIÇÕES
LIMITAÇÕES DAS MEDIÇÕES
Máximos, mínimos, variações e intervalos
Além dos limites e limiares (físicos) dos valores de algumas grandezas – por exemplo, a “velocidade da luz no vazio” como limite, ou valor máximo da(s) velocidade(s); o “zero absoluto” como limiar da temperatura* –, todos os instrumentos medem só num certo intervalo (de medição).
Muitos termómetros clínicos medem entre 35 °C e 42 °C, mas outros termómetros medem abaixo e/ou acima destes valores.
Em geral, para medir todos os valores possíveis de uma grandeza, necessitamos de vários instrumentos, eventualmente projetados e construídos de acordo com diferentes princípios metrológicos – diferentes fenómenos – e para diferentes segmentos, ou gamas de valores de cada grandeza. Todos os instrumentos, pelos seus projeto e fabricação, têm os seus limiares e limites.
Mas, não só: além do máximo e do mínimo dos valores que um instrumento de medição, ou sistema de medição, pode medir, ele tem algumas limitações, como, por exemplo, a(s) sua(s) resolução(ões): um instrumento mede por saltos (“quanta”) e, entre dois saltos consecutivos, um instrumento não é capaz de quantificar as variações inferiores aos valores da(s) resolução(ões) dos instrumentos: um grão de arroz (≈0,02 g) não faz alterar o valor afixado numa balança corrente de supermercado** (resolução: 1 g).
Para cada grandeza há, em geral, variados tipos de instrumentos, frequentemente com diferentes gamas, entre os mínimos e os máximos que poderão medir. E para cada instrumento, há variações da mensuranda que ele não deteta e variações que não mede**.
Que cara(c)terísticas tem o silêncio? Contudo, o silêncio que nós (não) ouvimos está cheio de sons!
E o que será o “infinito”, ou, pelo menos, o incontável, se o número estimado de partículas elementares (subatómicas) do Universo não chega a 10100?!
E o que é que vive há mais do que catorze mil milhões de anos?, uma idade superior à idade presentemente estimada do Universo?!
O infinitamente grande e o infinitamente pequeno não são compatíveis com a Metrologia! Não se mede o nada, ou o que estiver lá perto!
Não se mede o nada, mas podemos ter indicações instrumentais de temperatura “zero”, comprimento “zero” e uma corrente elétrica ”zero”: os instrumentos não medem valores inferiores à(s) sua resolução(ões); também o que é inferior ao limiar de mobilidade o instrumento não vê.
Valores vestigiais ou residuais, frequentemente, não são detetáveis e são visualizados em muitos instrumentos com o valor “zero” (0).
Todos os instrumentos têm a(s) sua(s) própria(s) resolução(ões); para um valor da grandeza abaixo da resolução o instrumento não mede nada! E não vê nada abaixo do limiar de mobilidade, mesmo que o valor da grandeza não seja zero!
*Não há volume de valor superior ao volume do Universo (que parece não ser um invariante). E parece também não se conhecer a temperatura máxima (possível): será 1,41∙1032 °C (temperatura de Planck)?
**Limiar de mobilidade: Maior variação do valor duma grandeza medida que não causa variação detetável na indicação correspondente [VIM 2012].
Resolução: Menor variação da grandeza medida que causa uma variação perceptível na indicação correspondente [VIM 2012].
Resolução e limiar de mobilidade são valores geralmente pequenos.
2018‑07‑05