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Medidas e medições para todos

Crónicas de reflexão sobre medidas e medições. Histórias quase banais sobre temas metrológicos. Ignorância, erros e menosprezo metrológicos correntes.

Medidas e medições para todos

Crónicas de reflexão sobre medidas e medições. Histórias quase banais sobre temas metrológicos. Ignorância, erros e menosprezo metrológicos correntes.

HOMEM‑PADRÃO

HOMEM‑PADRÃO

Um só padrão para todos?

 

Quem diz homem‑padrão, diz mulher‑padrão, ou pessoa‑padrão. (Todavia, não há padrão; haveria padrões.)

Muitos aspetos da vida social, ou comunitária, são padronizados e padronizadores, embora uns mais do que outros. Por exemplo, a moda é padronizadora.

(Mas não só: a prevenção da nossa saúde, da saúde individual de cada um, é feita com base em valores‑padrão de grandezas fisiológicas, biofísicas e bioquímicas.)

Quem é que não ouviu já, relativamente à escrita e à fala, referências ao português‑padrão?!

O socialmente correto e o politicamente correto parecem ter também características ainda mais padronizadoras do que a moda estrita.

As religiões também são padronizadoras, em particular a partir dos ensinamentos dos líderes, da sedimentação de postulados (dogmas) e das normas estabelecidas pelas hierarquias das respetivas organizações*: pelos valores, princípios, bitolas, padrões, atitudes e comportamentos.

Os prosélitos de cada grupo (mais ou menos organizado) são muito parecidos entre si: por exemplo, pelo sectarismo mais ou menos exacerbado/mitigado: do futebol ao partidarismo político; da ideologia (de todos os tipos) ao ativismo; da política à religião.

Em outra perspetiva, alguns gregos já haviam avisado – por Protágoras, um grego – que “O homem é a medida de todas as coisas”. Isto é, o “homem” é a bitola, a referência, o padrão para tudo. Todavia, não se trataria de (um) homem-padrão – um modelo – que serviria de bitola a todos: seria cada um a sua própria referência, a sua própria bitola, o seu padrão**. (Ora isto não é propriamente a “quinta‑essência” da Metrologia!)

Contudo, por exemplo, na saúde, parece existir um homem‑padrão, e uma mulher‑padrão, que são a referência, entre outros, para os valores de grandezas fisiológicas. E todo o desvio detetado (ao modelo‑padrão) seria devido a putativas disfunções orgânicas, anomalias e avarias e, por isso, elegíveis para prevenções, correções e curas***.

As leis (políticas, administrativas e comunitárias) também são iguais para todos, como se fôssemos todos iguais, ainda que se diga que alguns são mais iguais do que outros. Todavia, parece um bom critério inicial para a gestão ou governação do conjunto de cidadãos de uma comunidade.

 

* Por exemplo, em geral, cada seita tem os tipos comuns de respostas padronizadas a perguntas feitas por terceiros. E quem (especialmente dentro do grupo) questionar, opinar diferentemente, ou apontar incoerências na doutrina, será um herege, um apóstata, um ímpio, um blasfemo, naturalmente a ser excluído, expulso, afastado, marginalizado.

E os castigos não sobrevirão (só) depois da morte, no futuro: ocorrerão mesmo durante a vida, no presente.

 

** Com frequência, as pessoas avaliam as outras pelo que (elas próprias) são, tomando-se, em geral, inconscientemente(?), por padrão. Na verdade, nós próprios somos o padrão e a referência mais próxima e mais imediata para o que (à nossa volta) observamos, avaliamos e opinamos.

 

*** Na saúde, como em outras áreas, há as sacrossantas referências‑padrão, e qualquer vivente não‑conforme é tratado de tal modo que venha a ajustar-se ao “padrão”, à “normalidade”. Simplificando, e com humor: aos muito altos prescreve-se tratamentos e cirurgias que os tragam à altura‑padrão, incluindo, por exemplo, cortes nas pernas – literalmente! Ou a diminuição do ângulo dos “olhos em bico”, entre outros desvios ao padrão (do momento).

 

2022-06-09

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