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Medidas e medições para todos

Crónicas de reflexão sobre medidas e medições. Histórias quase banais sobre temas metrológicos. Ignorância, erros e menosprezo metrológicos correntes.

Medidas e medições para todos

Crónicas de reflexão sobre medidas e medições. Histórias quase banais sobre temas metrológicos. Ignorância, erros e menosprezo metrológicos correntes.

DITADURA DAS MEDIDAS

DITADURA DAS MEDIDAS

O Homem será a “medida” de tudo?

 

O homem é a medida de todas as coisas* – teria dito Protágoras (outro, que não Pitágoras). Esta proposição referir‑se‑ia a cada homem (ou mulher) em particular e não à espécie humana (ou subespécie homo sapiens sapiens, vulgo, género humano), o Homem.

É necessário medir. Tudo, tudo?

Medir tudo, mas devagar. Com fundamento, oportunidade e pertinência.

Parece haver, entre outras, uma tendência para acreditar e decretar que há medidas (padrão) que serviriam a todos – somos todos iguais, não somos?! –, das calorias a ingerir às horas de sono, dos litros de água a beber por dia até ao número de gramas de sal a integrar nos alimentos, por exemplo.

Também a quantidade de passos a dar por dia, entre outros preceitos que grande parte das pessoas segue fiel, religiosa e acriticamente.

Mais do que regras razoáveis, parece haver uma inclinação para a normalização, padronização e uniformização que poderia não ser louvável, nem de aceitar e muito menos de seguir.

Não somos todos iguais: há velhos e novos, doentes e sadios, homens e mulheres, trabalhadores manuais, trabalhadores intelectuais e outros trabalhadores, por exemplo.

Esta tentativa, esta tendência insistente e recorrente, mais ou menos evidente, de uniformização – padronização quantitativa da vida de todos, com base em grandezas e unidades metrológicas correntes – parece ser ainda mais estrita e universal do que, por exemplo, a da normalização, ou racionalização dos tamanhos de calçado e de roupa.

Todavia, não vestimos todos o mesmo “número” de camisa, nem o mesmo “número” de sapatos. E muita roupa pronta‑a‑vestir e algum calçado pronto‑a‑calçar necessitam de alguns ajustes para servirem ao utente final.

No trânsito, além das velocidades máximas e mínimas, também há as velocidades recomendadas.

Há gente obcecada com o que come e a proceder de acordo estrito com a quantidade (nominal) de calorias ingeridas, ou a ingerir, com a ajuda das indicações que os especialistas** decretam sobre quanto, quando, como e o que comer.

Além das calorias, é necessário estabelecer e cumprir os limiares de, por exemplo, vitaminas, minerais e determinados compostos; e os limites de várias substâncias, tais como, o sal, sulfitos e nitritos, entre outros.

Está até estabelecido o número de horas de trabalho, em diferentes setores.

Há já muitos anos, uma encíclica papal sugeria, no seguimento dos ensinamentos de outrem, que, diariamente, deveríamos trabalhar oito horas, dormir outras oito horas e usar as restantes oito em lazer. (A título indicativo? E as práticas religiosas seriam trabalho, ou lazer? É que o dia só tem vinte e quatro horas!)

Outros fatores, aparentemente relevantes para a saúde e bem-estar humanos, não são abordados e muito menos popularizados.

 

*O homem é a medida de todas as coisas, das coisas que são, enquanto são, das coisas que não são, enquanto não são. (!) [Protágoras]

 

**Feynman (Richard Feynman, prémio Nobel de Física) dizia que “para aprender ciência a gente deve desconfiar dos especialistas”.

 

2017-07-06

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