CANIVETE SUÍÇO METROLÓGICO
CANIVETE SUÍÇO METROLÓGICO
Corpo humano – conjunto de bitolas
A altura de cada pessoa pode servir de referência (metrológica) à estimativa de dimensões que ela (pessoa) deseje “medir”: a altura de uma grade de uma varanda; a altura a que está o puxador de uma porta; a altura de um carro.
Muitas unidades de comprimento legais/oficiais “antigas” eram baseadas nas dimensões de partes específicas do corpo de alguém: de um rei, por exemplo. Ainda hoje sobrevivem, em algumas regiões e países, algumas unidades com designações referentes ao corpo humano: polegada, pé e palmo, por exemplo. (Todavia, as unidades com estas designações, por exemplo, nos EUA, têm os seus valores definidos e referidos … ao metro! Não, não é só uma equivalência, é uma definição!)
Porém, não havendo possibilidade imediata de medição, nem necessidade de rigor, ou de fazermos medições legais, podemos sempre recorrer a dimensões corporais próprias (do nosso corpo), aproximadas, para fazermos estimativas rápidas sem recurso a instrumentos metrológicos.
E o corpo humano, o nosso corpo – qual “canivete suíço” metrológico – poderá ser uma ótima ajuda à medição por aproximação, proporcionando valores indicativos*.
Apercebemo-nos do eventual estado febril de alguém, tocando-lhe, por exemplo, a testa.
Podemos medir a distância a que estamos de um local a partir do tempo que demoramos a lá chegar, caminhando (o que comummente ocorre a uma velocidade entre 4 km/h e 5 km/h).
O coração é um relógio: para lapsos de tempo não muito grandes, podemos medir o tempo contando as pulsações próprias durante o processo que desejamos avaliar.
Verificamos a linearidade (uma característica metrológica) da interseção de dois planos – uma aresta – e também fazemos pontaria (através da mira das armas) – qual laser – num processo metrológico a olhómetro.
Mas, não só: poderemos obter o valor indicativo de um peso tentando levantá‑lo, ou sopesando-o.
Podemos ter indicação dos defeitos superficiais menores, por exemplo, de uma folha de papel, observando‑a: defeitos menores do que (indicativamente) 0,1 mm não são detetáveis por uma pessoa comum, sem ajudas óticas. Imagens que mostrem água fluindo, carros movendo-se, pessoas caminhando, normalmente, são a garantia de que elas (as imagens) nos são apresentadas a uma cadência superior a cerca de dez “frames” por segundo (10 fps, 10 hertz)**.
* O leitor já terá ouvido falar do “homem de Vitrúvio”, a que Leonardo da Vinci deu uma contribuição, e que estabelece relações‑padrão nas dimensões de partes do corpo humano. (Vitrúvio [80 a.C. – 15 a.C.], arquiteto romano.)
** Em alguns filmes e vídeos vemos (imagens de) carros em movimento, mas as rodas, as jantes das rodas, (a)parecem‑nos paradas, ou a rodar ao contrário, ou a uma rotação não compatível com a velocidade do carro; este fenómeno – qual efeito estroboscópico – poderá – conhecidas algumas grandezas – permitir o cálculo do número de imagens por segundo, ou fotogramas por segundo (fps – frames per second) que a projeção (filme ou vídeo) “passa”.
2021-09-09