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Medidas e medições para todos

Crónicas de reflexão sobre medidas e medições. Histórias quase banais sobre temas metrológicos. Ignorância, erros e menosprezo metrológicos correntes.

Medidas e medições para todos

Crónicas de reflexão sobre medidas e medições. Histórias quase banais sobre temas metrológicos. Ignorância, erros e menosprezo metrológicos correntes.

BURROS METRÓLOGOS?

BURROS METRÓLOGOS?

“Princípio” da menor energia  

 

(Repetição de crónica de 2019‑02‑14)

Os topógrafos afadigavam-se, havia já muito tempo, a fazer medições pela encosta da serra acima.

Um habitante local mais curioso, mais inquisitivo e mais afoito, perguntou‑lhes o que andavam a fazer: – Medições para traçar o melhor caminho serra acima e serra abaixo – disse um dos topógrafos. – Ora, Ora! Não é necessária tanta complicação e canseira: nós soltamos um burro e seguimo-lo encosta acima para saber qual é o melhor caminho, comentou o indígena (por acaso, euro‑europeu).

Para quê topógrafos – medidores profissionais – se um burro desenha o caminho mais fácil, mais confortável e mais inteligente?* Todavia, o burro não mede áreas; o burro não mede outras grandezas para as quais há referências (quantificadas), convenções e regulamentos com disposições obrigatórias expressas, por exemplo, em normas.

Parece que muitos animais possuiriam intuição, sensibilidade e automatismos que minimizariam, por exemplo, a energia consumida**.

Em muitas circunstâncias, alguns investigadores científicos recorrem (geralmente em primeiras abordagens) a um princípio informal da Natureza (?) – há quem diga “lei” –, o da energia mínima, ou o da força mínima, ou o do caminho mais curto, imaginando que a Natureza*** é uma boa gestora de recursos.

A luz faz o percurso entre dois pontos (de diferentes materiais por onde circula) minimizando o tempo (de viagem).

As bolas de sabão (pequenas) são (quase) esféricas porque a Natureza parece fazer tudo com critérios de (boa) gestão: a superfície esférica é a menor (superfície) capaz de envolver o volume contido no seu interior.

Contudo, o voo do pardal (um protótipo natural falhado de máquina voadora) parece muito menos eficiente do que o da andorinha, ou a da multifuncionalidade do ganso, como caminhante, nadador e voador. Embora o pardal seja, ele próprio, parte da Natureza.

 

* Não só os burros, mas também outros animais.

Parece haver animais (ainda que) domesticados que, na Natureza, acompanhando os donos, deixam de os seguir e fazem outro roteiro quando os mesmos donos se metem por certos caminhos, percursos, ou trajetos.

Questão aparentemente intrigante surge também, por exemplo, com as aves que mergulham para caçar peixes dos quais só possuem imagens virtuais, não coincidentes com os peixes reais, por via da refração da luz. Questão idêntica é a dos peixes, por exemplo, nas florestas ribeirinhas (mangais, por exemplo), que emergem da água para caçar certeiramente insetos nos ramos dos arbustos, apesar da refração.

 

** Nós próprios não caminhamos bem senão aprumados, isto é, sem termos a principal direção do nosso corpo (a que vai da cabeça aos pés) alinhada com a vertical do lugar (a direção do raio terrestre local), especialmente em terrenos inclinados.

 

*** Os seres humanos, seres naturais, terão essa capacidade intrínseca (da otimização dos seus processos naturais)?!

Certamente que, por exemplo, o comprimento dos passos que damos e a velocidade a que normal e naturalmente caminhamos obedecerão a critérios de otimização (contudo, diferentes de indivíduo para indivíduo!).

 

   2021‑09‑30 (Publicada pela1ª vez em 2019‑02‑14)

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