AS MEDIDAS SÃO DADOS
AS MEDIDAS SÃO DADOS
Dados abundantes e informação escassa
Apesar da existência de muitos dados, e dados de dados – Big data; Metadata, ou “Metadados” e superstruturas de dados –, a informação escasseia.
As medidas – os resultados das medições – poderão ser dados. Mas, nem todos os dados são medidas*.
Nem todos os dados são de caráter quantitativo.
E nem todos os dados são informação**.
“A Estatística transforma os dados em informação”. Por exemplo, os suplementos de muitas publicações, entre outros, os suplementos económicos, estão cheios de dados (grande parte são dados numéricos), mas só para alguns leitores eles são informação; para outros leitores são (só) números sem significado imediato. Porém, estatísticas feitas com esses dados poderão carrear mais informação para outros leitores.
Podemos ler, talvez em voz alta, um artigo científico sem entendermos nada! E lendo-o em voz alta, na presença de ouvintes meio‑entendidos no assunto, poderemos ter os ouvintes elucidados, mas nós próprios – os que lemos em voz alta – continuando na ignorância do que lemos***.
Quando os dados fazem sentido para nós (para pelo menos alguns de nós), então poderão constituir informação. Se se trata de dados que entendemos e que não são novos para nós, então não lucramos nada, não aprendemos nada – não é informação (para nós).
Os mesmos dados, para uns poderão ser informação, e para outros serão ruído.
Qualquer um, com ou sem carta de condução – carteira de motorista, em brasileiro –, poderá, qual papagaio, descrever um sinal de trânsito, mas só alguns conhecem o seu significado, e só para estes será informação. (Um sinal de trânsito, numa subida, indicar 10% pouco significará para a maior parte dos condutores, apesar da sua natureza quantitativa!)
Medir pela primeira vez a alguém as suas pressões arteriais, e dizer‑lhe que a máxima e a mínima, são respetivamente “vinte” (20 cm Hg, vinte centímetros de mercúrio) e “dez” (10 cm Hg, dez centímetros de mercúrio) poderá deixá‑lo indiferente, por não ter (ainda) informação de referência e desconhecer a gravidade da situação.
* Há, nos média (media, em latim; mídia, em brasileiro e português estrangeirado), uma vaga de termos e palavras – principalmente designações anglo‑saxónicas – tais como: megadata, data mining, big data, database, a propósito, ou a despropósito da Inteligência Artificial, ou de outra área recém‑descoberta pelos mesmos média, ou só agora com espaço e pertinência na agenda deles (média).
Há até empresas e outras entidades dedicadas à recolha não autorizada, ou insuspeitada (furto?!) de dados dos utilizadores da/na net.
** Os dados são os “tijolos” com que se constrói a informação.
Porém, fará pouco sentido lermos no rótulo de uma garrafa de vinho a “informação” de que contém sulfitos, sem “informar” quais e quanto de cada um E, além disso, sem referir valor algum de referência, e limites máximos legais.
*** Isto poderá constituir uma explicação para que, em algumas aulas, em qualquer grau de ensino, alguns alunos aprendam com o que ouvem o/a professor/a dizer, ou a ler, sem que este/a eventualmente perceba completamente o que está a dizer, aquilo que descreve, ou explica, eventualmente com alguma clareza.
2024-03-28