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Medidas e medições para todos

Crónicas de reflexão sobre medidas e medições. Histórias quase banais sobre temas metrológicos. Ignorância, erros e menosprezo metrológicos correntes.

Medidas e medições para todos

Crónicas de reflexão sobre medidas e medições. Histórias quase banais sobre temas metrológicos. Ignorância, erros e menosprezo metrológicos correntes.

ÁREAS NOS MÉDIA E ARREDORES

ÁREAS NOS MÉDIA E ARREDORES

Um quadrado com seis metros

 

Quando ouvimos falar de um “quadrado de/com seis metros” – uma expressão ambígua –, não sabemos se quem fala quereria dizer “quadrado de/com seis metros de lado”, ou se, usando uma expressão errada, quereria dizer “quadrado de/com seis metros quadrados”.

Se por aquela expressão se quer dizer “quadrado de seis metros quadrados”, significaria que o lado seria de cerca de 2,45 m (exatamente 61/2, ou 6); se é um quadrado de seis metros (6 m) de lado (quadrado de “seis por seis metros”, ou seis metros por seis metros), ele (o quadrado) terá trinta e seis metros quadrados de área: 6 m × 6 m = 36 m2.

Frequentemente, as grandes áreas relativas, por exemplo, a grandes incêndios, desmatações e inundações, principalmente nos média (ou media, em latim, melhor do que mídia), são expressas comparativamente a, por exemplo, áreas de países, áreas de regiões, ou outras referências, ou bitolas geográficas*.

Também são frequentes as referências à unidade “campo de futebol” – embora os campos de futebol não sejam todos iguais, não constituindo por isso uma unidade consistente – para descrições de, entre outras, culturas agrícolas, de plantações, ou áreas industriais.

De modo idêntico, é corrente citar a unidade “piscina olímpica” quando se deseja referir grandes quantidades de água para uso em instalações industriais, circulação por depósitos específicos de parques e jardins zoológicos, por exemplo.

Não só com áreas e volumes, mas também com outras grandezas: para passar a noção da intensidade de fenómenos como grandes explosões, por exemplo, acidentais, destruições naturais e fenómenos ocasionais de grande intensidade, é frequente a comparação ou equivalência a métricas aparentemente bem estabelecidas, quer mediaticamente, quer popularmente: a destruição causada por explosões e bombas – atómicas – comparáveis às que foram lançadas sobre Hiroshima e sobre Nagasaki, na Segunda Grande Guerra do século XX. (Para este efeito narrativo também é frequente o recurso à unidade “tonelada de TNT”).

Não só os média, mas o falante comum, têm padrões e bitolas pouco metrológicos, sensitivos, a gosto (e, aparentemente, mais úteis).

As “grandes superfícies” (comerciais, entre outras) – uma expressão simbólica – costumam ser referidas, frequentemente, como bitolas, em muitos e variados contextos, embora seja rara a referência às pequenas superfícies (apesar da aparente maior ocorrência destas**).

Na Astronomia e na Cosmologia, tamanhos e pesos são muitas vezes referidos em relação, por exemplo, ao Sol e à Terra conquanto quase ninguém saiba, ainda que indicativamente, os respetivos diâmetros, distâncias relativas, ou tonelagens. (Este último termo, frequentemente, está reservado para capacidade e porte de navios.)

 

* “Já ardeu uma área superior à (da superfície) da Bélgica”; “a inundação atingiu uma área equivalente à do Alentejo”; “ardeu o equivalente a trezentos (300) campos de futebol”

 

** Também é frequente a referência aos termos “hipermercado” e “minimercado”, contudo, há definições legais (com quantificadores) para estas designações.

 

2024-10-24

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