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Medidas e medições para todos

Crónicas de reflexão sobre medidas e medições. Histórias quase banais sobre temas metrológicos. Ignorância, erros e menosprezo metrológicos correntes.

Medidas e medições para todos

Crónicas de reflexão sobre medidas e medições. Histórias quase banais sobre temas metrológicos. Ignorância, erros e menosprezo metrológicos correntes.

A METROLOGIA VAI MUDANDO

A METROLOGIA VAI MUDANDO

Transformações e reformas metrológicas

 

A racionalização, cientificação* e uniformização da Metrologia, a par da legitimação, responsabilização e controlo por parte (das autoridades) dos países aderentes ao SI e dos seus órgãos dedicados à Metrologia, são bases da sua aceitação, globalização e confiança.

Contudo, sobretudo no passado menos próximo, muitos países legislavam sobre unidades, padrões e responsabilidades metrológicas, e, frequentemente, por deficiente e incipiente organização e incompletude dos sistemas metrológicos, por falta de meios administrativos, de meios técnicos e de controlo, não havia mudanças reais, nem evolução, nem progressos, fazendo com que as leis, regras e preceitos relativos à Metrologia Legal permanecessem “letra‑morta”.

Hoje, na maioria dos países, as leis, preceitos e normas – incluindo as do âmbito da Metrologia – são de cumprimento obrigatório, universal e incontornável, para além da perceção generalizada de que, na sua maioria, são justas, necessárias e tendem a melhorar as relações entre pessoas, empresas e organismos públicos.

Um detalhe não despiciendo é o da existência de órgãos (nacionais e internacionais) capazes de produzir e fazer cumprir as disposições normativas de natureza metrológica.

Todavia, as alterações metrológicas não são simples, nem rápidas, nem isentas de custos, embora a evolução e a tendência tenham sido sempre no sentido da simplificação, transparência, menor risco e maior segurança do freguês, do destinatário, do utente, já que, por exemplo, as práticas científicas, técnicas e industriais, no passado, pareciam menos necessitadas de apoio legal; a utilidade (e a necessidade) da evolução era sobretudo comercial, económica e societal.

Mas a Metrologia muda, progride, e às vezes evolui.

O litro (L), uma unidade de capacidade, definida originalmente como o volume de um quilograma de água a (cerca de) quatro graus Celsius, ou quatro celsius (4 °C), desde há algumas dezenas de anos, passou a ser equivalente ao decímetro cúbico (dm3)**, uma unidade SI de volume; isto é, passou a ser uma designação alternativa (e redundante) do decímetro cúbico.

E por que não banir o termo “litro” ***?

Em muitas embalagens de líquidos, a capacidade é expressa em centilitros, ou mililitros****, não em unidades de volume, por exemplo, centímetros cúbicos e decímetros cúbicos.

 

* Por exemplo, a recente libertação das definições das unidades de base SI dos artefactos (padrões) construídos para a materialização das mesmas unidades foi mais um passo na direção da cientificação da Metrologia.

 

** Com esta mudança, o litro passou a ser mais pequeno, embora a redução não fosse detetável nas medições correntes e quotidianas.

 

*** Por vezes, entre outras, é grande a inércia linguística. Por exemplo, apesar da substituição – há algumas dezenas de anos – da designação “grau centígrado” pela designação “grau Celsius”, ela (primeira designação) continua a ser usada e com a popularidade em alta.

 

**** Recentemente, algumas entidades fornecedoras de água para consumo doméstico, revelaram que, para que os consumidores sintam e percebam os valores faturados e, eventualmente, os consumos excessivos, as faturas da água passariam a indicar o consumo diário em litros (L). Todavia, os preçários e a faturação dos consumos mensais de água continuam a ser feitos na base da unidade de volume “metro cúbico” (m3).

 

2023-07-13

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