Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Medidas e medições para todos

Crónicas de reflexão sobre medidas e medições. Histórias quase banais sobre temas metrológicos. Ignorância, erros e menosprezo metrológicos correntes.

Medidas e medições para todos

Crónicas de reflexão sobre medidas e medições. Histórias quase banais sobre temas metrológicos. Ignorância, erros e menosprezo metrológicos correntes.

INTUIÇÃO E MEDIÇÃO

INTUIÇÃO E MEDIÇÃO

Sem medição, avança a intuição

 

Sem medição, avança a intuição, a invenção, a ficção.

Em geral, temos horror ao vazio*: por isso, sem medição, sem medidas, avançam os sentidos, a intuição, o sexto sentido, o palpite, a heurística**, a opinião e até a adivinhação, ou a invenção pura.

A intuição parece, às vezes, competir com a medição e com o cálculo (com medições, ou com probabilidades, por exemplo).

A intuição parece ser o substituto mais fácil e cómodo para a inexistência de medidas. E com frequência a expressão da intuição é feita, com ou sem conhecimentos específicos, com termos metrológicos, com linguagem quase metrológica.

(Quem não sabe, inventa, seja por necessidade psicológica intrínseca, seja por função sociológica.  Afirmações recorrentes, mesmo nas conversas banais e informais – mas não só –, sobre política, religião, educação, cultura, ciência, são inverdades, são mitos, aparentemente inconsequentes. Os domínios onde não há a prática da medição estão cheios de criatividade, de mitos e de mitómanos, de mentiras e de mentirosos.)

Contudo, podemos criar e desenvolver a nossa sensibilidade relativamente a valores de medidas de algumas grandezas.

A medição é um processo simples e claro; a intuição é um fenómeno com grande componente de subjetividade; é um processo ambíguo, nebuloso, incerto, exceto, aparentemente, para os profissionais “psi” (da psique), trabalhadores do paranormal e outros adivinhadores encartados, ou não.

Sem ciência, ou sem orientação e resultados técnicos, eventualmente científicos, não podemos dar-nos ao luxo de menosprezar, ou até desprezar os adivinhos: se os descartamos, o que fazer em alternativa?

Muitos têm uma capacidade razoável de perceção dos valores de algumas grandezas (mesmo aquelas que são medidas frequentemente), mormente daquelas com que, profissionalmente, estão mais familiarizados.

 

* O vazio é a norma, mas, em geral, não temos conhecimento ou perceção disso. O vazio – a nossa ignorância e o nosso desconhecimento –, é um mundo maior do que o resto do Universo conhecido. (Diziam os sábios antigos que a Natureza – na verdade, o ser humano – tinha horror ao vazio.) E o vazio que percebemos, aquele que sentimos e de que nos damos conta, acaba por ser insuportável: por isso, criamos.

Por outro lado, há quem diga que o vazio não existe; e quando existe, quando alguém se dá conta do mesmo, rapidamente ele é preenchido (pelo menos em alguns domínios).

“There is plenty of room at the bottom” teria dito Richard Feynman [1918 – 1988], físico nobelizado [1965], referindo‑se aos cristais, aos átomos e às partículas subatómicas, à escala atómica e subatómica, onde há mais “vazio” do que matéria. Rapidamente, o reconhecimento desta verdade transformou‑se numa sugestão para a entrada das nanotecnologias, hoje omnipresentes.

** Heurística  – “heurística” teria a mesma raiz de “eureka” –, entre muitos significados, poderá ser a designação de um valor ou conjunto de valores que, à falta de medidas, ou outras quantidades, é adotado como valor‑tentativo em algum algoritmo com vista à resolução, ou compreensão de um problema, ou de um fenómeno.

 

2025-10-30

MEDIÇÃO DOS CALORES

MEDIÇÃO DOS CALORES

Medição do calor e da temperatura

 

Com termómetros (e pirómetros) medimos a temperatura; com calorímetros medimos os calores – sentido físico – trocados por um corpo com outros corpos.

Enquanto a temperatura parece uma grandeza bem definida e bem determinada, o calor, não; não há (só um) calor:calores. No universo científico, “calor” não é termo bem quisto*: calor é só energia térmica em processo de transferência, apesar do “calor latente”, em geral, bem conhecido nas mudanças de estado – ou transição de fase, como agora se diz e escreve – de elementos e de substâncias. (Sem contar que, em português, há situações em que se usa a palavra calor em sentido figurado, entre outras: “calor humano”, “no calor da refrega”; “defender alguém, ou uma causa, com calor”, “estar com calores”.)

Correntemente, o calor é tratado como uma forma de energia – energia térmica – e foi Joule** quem pela primeira vez – que se saiba – determinou, de forma simples, o equivalente mecânico da caloria***.

Frequentemente, as transferências de calor fazem subir a temperatura de um corpo e baixar a de outro, quando entre eles há troca do mesmo (calor). Todavia, em certas transferências de calor não há variação da temperatura: um pedaço de gelo a zero grau (melhor do que zero graus, SI oblige) poderá receber algum calor sem que isso se reflita na temperatura: a transformação do gelo (a 0 °C) em água (a 0 °C) exige calor – calor latente – sem que a temperatura varie. (O calor latente exprime‑se em J/kg, joules por kilograma, unidade SI.)

 

* Alguns rigoristas insistirão em que só seria admissível usar o termo “calor” na transferência de energia. (Nas equações matemáticas não entram palavras, e as grandezas são invariantes quanto aos termos com que são identificadas, incluindo os diferentes termos das várias línguas.)

(É provável que, por um rigorismo idêntico, “dinheiro” seja só o que trazemos no bolso, em trânsito, sob a forma de notas e moedas; já os bancos guardariam “meios financeiros”!)

É provável que o horror ao “calor” seja uma tentativa de esconjuro e um exorcismo do termo e conceito do famigerado “calórico”.

** Joule [1818 – 1889], físico britânico, estabeleceu a relação entre calor e energia mecânica, e está homenageado no SI com a designação da unidade de energia, “joule” (um nome comum, com j minúsculo), símbolo, “J” (J maiúsculo), a primeira letra do nome do cientista (Joule, um nome próprio).

(Com frequência encontramos a palavra “Joule” como sendo a designação da unidade de energia do SI: distração dos escreventes!)

*** A caloria é uma unidade de energia, desnecessária, mas que a tradição, o conforto (preguiça?) e a realidade ajudam a conservar. Todavia, o uso desta unidade é mais usual na indústria e no comércio – e na publicidade, extensão de uma (indústria) e outro (comércio) – e não no domínio científico. É útil, embora não necessária.

(Uma caloria é definida como a “quantidade de calor” necessária para elevar a temperatura de um grama (1 g) de água de catorze e meio celsius (14,5 °C) para quinze e meio celsius (15,5 °C.)

 

2025-10-23

EXPRESSÕES SIMPLIFICADAS DE MEDIDAS

EXPRESSÕES SIMPLIFICADAS DE MEDIDAS

Facilidades metrológicas

 

“Falamos para que nos entendam”, dizem, especialmente, os preguiçosos, os descuidados e os simplistas; e o devido rigor, mais ou menos técnico, em certos contextos e circunstâncias, com estes entendimento e critério, dá lugar a aligeiramentos, a abreviações* e simplificações que podem gerar ambiguidades.

No consultório médico, a pressão arterial de alguém, com valores de 9 cm Hg (nove centímetros de mercúrio) de mínima (pressão diastólica), e 14 cm Hg (pressão sistólica) passa a ser: tensão 14/9, como se fossem números puros de grandezas adimensionais**. (Também poderia ser, ainda com rigor: mínima 90 mm Hg – noventa milímetros de mercúrio – e máxima 140 mm Hg – cento e quarenta milímetros de mercúrio.)

(Num concurso de beleza, “90‑60‑90” significaria os perímetros envolventes de 90 cm de busto, 60 cm de cintura e 90 cm de quadril de uma miss.)

No oftalmologista, ou no gabinete de optometria, a pressão ocular poderá ser 18 od e 24 oe (od: olho direito; oe: olho esquerdo). E, já agora, o especialista poderá não saber exatamente que unidades estão subjacentes a estes números, e a estas medidas. (A pressão ocular é expressa, em geral, em mm Hg – milímetros de mercúrio –; a pressão arterial é correntemente expressa em cm Hg – centímetros de mercúrio.)

O técnico, ou vendedor da empresa fornecedora de serviços de internet, oferece‑nos, entre outros valores, duzentas gigas (200 G?: giga quê?); mas, giga (G) é só um prefixo que se usa com qualquer unidade de qualquer grandeza: GWh (gigawatt‑hora), GPa (gigapascal), GC (gigacoulomb), entre um número indefinido de grandezas. (De resto, muitos especialistas, na área da informática, não nos saberiam dizer se são duzentos gigabits (Gb), ou duzentos gigabytes (GB), ou ainda, se algum deles é “por segundo”, s−1.)

Aliás, o corrente e conhecidíssimo “quilo”, como abreviação de “quilograma”, é a designação do prefixo “kilo” (k) que é usado nas unidades de qualquer grandeza: kg, kHz, ou kW, entre um número indeterminado de grandezas.

Entre nós, também é corrente o uso quase exclusivo da expressão “grau”, em vez de “grau Celsius”, ou “celsius”, para medidas de temperatura, embora com erros e enganos frequentes para quem vive em globalização sem uniformização global das unidades metrológicas. Neste caso, quando se diz cinquenta graus e se escreve 50º, em vez de 50 °C, temos, a julgar pelo símbolo, uma tripla ambiguidade: tanto poderá ser cinquenta graus Fahrenheit (50 °F), cinquenta graus Celsius (50 °C), ou cinquenta graus de arco, ou de ângulo (50º). E nem sempre o contexto ajuda a desambiguar a expressão.

 

* Frequentemente, os quilogramas são “quilos”; os graus Celsius, ou os celsius (alternativa a graus Celsius), são “graus”; os quilómetros por hora são “quilómetros‑hora” (errado!), ou “quilómetros à hora”; os milhares de milhões são “biliões” (à americana, e não só), e os milhões de milhões, são “triliões”.

** Em algumas áreas industriais e comerciais, e em alguns artefactos (pneus, por exemplo) e outros produtos (tubagens, por exemplo) convivem alegremente dimensões de grandezas expressas em unidades de diferentes sistemas metrológicos (SI e sistema anglo-saxónico). E não é infrequente descobrirmos que muitos profissionais do ramo desconhecem este facto – tal a força do hábito, da rotina e a confiança nos instrumentos de medição. Contudo, à vista e a sentimento, os mesmos conseguem identificar dois artefactos diferentes com os diferentes números que codificam e normalizam cada artefacto.

 

2025-10-16

PESAGENS E PESOS

PESAGENS E PESOS

Pesinhos e pesos pesados

 

Estamos familiarizados com o peso do saco de batatas do supermercado, mas não temos sensibilidade (nem, por vezes, sabemos que se trata de peso) para, por exemplo, a quantidade do princípio ativo presente em cada comprimido que tomamos pela manhã; nem que se pode pesar, entre muitos outros astros, o planeta Marte (entre um número indeterminado de corpos celestes, como estrelas e galáxias).

Para a maioria, pesar tem de ser com balança.

Pesar, quase sempre, é um processo ou operação destinada a determinar a massa de um corpo. Seja o que for a massa, ela pesa. E a energia também pesa, mas somente em determinadas circunstâncias*.

Embora não saibamos o que é a massa**, ela é uma das propriedades mais medidas***, senão a mais medida das propriedades dos corpos que submetemos a medição.

Entre outros, os corpos celestes são pesados indiretamente.

Para as pesagens diretas, correntemente, são usadas balanças; e há uma enorme variedade de balanças.

As balanças mais simples são do tipo daquelas com que se representa a justiça****: uma alavanca interfixa de braços iguais. Entre outras balanças, estas necessitam de “pesos”, ou de “massas marcadas”, com as quais se comparam as massas dos corpos a pesar. Entre outras, a balança de Roberval, um dispositivo comum no passado, é estritamente mecânica e construída com um conjunto sofisticado de alavancas que aumenta o seu poder resolvente e a sua sensibilidade relativamente à balança de braços suspensa.

Grande parte das balanças correntes são dinamómetros (disfarçados), ou dissimulados, que reagem ao peso, às forças, mas respondem (na escala) com o valor da massa do corpo sob medição.

 

* Os fotões não têm massa em repouso – não há fotões em repouso! –, mas têm momentum, ou quantidade de movimento, ou momento linear, e massa relativística, em movimento, o que proporciona impulso e pressão sobre as superfícies sobre que incidem: cerca de 7 µN/m2, ou aproximadamente 7 gf/ha, sete gramas‑força por hectare (pressão de radiação).

** A massa do eletrão – mas não só – é expressa em “eV” – eletrão‑Volt –, ou MeV, mega eletrão‑Volt, que são, ambas, unidades de energia.

*** Aparentemente, um “buraco negro” é caracterizado pela sua massa e momento angular e, eventualmente, a carga elétrica; não haveria mais nada para caracterizar tais entidades, pelo menos por agora.

**** Contudo, sem a metodologia sugerida ou presumida pelas imagens – esculturas, pinturas e outros produtos das artes plásticas – de uma senhora vendada (porquê uma senhora em modo de jogo da cabra cega?) segurando inadequadamente uma balança de pratos suspensos em desequilíbrio. (Será intencional e propositada aquela representação que constitui um atropelo à arte de bem pesar?)

 

2025-10-09

MEDIR PARA CONHECER

MEDIR PARA CONHECER

Sem medidas: a ignorância e o caos?!

 

Podemos medir, por exemplo, a poluição, mas só depois de a definirmos (ainda que saibamos que a definição poderá ser temporária, datada, provisória), de a caracterizarmos, e depois de operacionalizarmos o conceito*.

Quem diz poluição, diz progresso, crescimento económico, corrupção, influência, simpatia, entre muitos outros fenómenos, sensações e relações materiais, virtuais ou abstratas.

Um jogador de futebol pode ser penalizado pela intensidade do contacto com o adversário. Que contacto?, que intensidade? Quem a mede?: fica ao arbítrio doárbitro**. (As penalizações dos jogadores faltosos parecem ser independentes das intenções dos mesmos.)

Sem medidas, sem métricas (por exemplo, sem estatísticas), sem números, podemos dizer que somos os “melhores do mundo”.

Podemos medir a quantidade de chuva caída, por exemplo, no nosso jardim, com um pluviómetro. E os “serviços competentes” preveem a quantidade de chuva que cairá amanhã, praticamente em qualquer sítio.

Nevou. Nevou?: quando, quanto, onde? Nevou mais do que no mesmo dia (do calendário) do ano passado? Parece uma questão irrelevante, contudo, entre outras necessidades e aplicações, há pessoas que, por exemplo, querem apostar, e outras aceitar apostas, relativamente a se nevou, ou não; para isso estabelece‑se o local onde se fará a observação e a quantidade real mínima (a ser medida) que implique, sem dúvidas nem polémicas (legítimas), que nevou, quanto e quando. É preciso medir, e a medição será feita por terceiros, independentes dos apostadores e dos aceitadores de apostas.

Medir é importante para constatar, monitorar ou atuar sobre um fenómeno, ou sobre as suas eventuais consequências e respetiva relevância.

Se, de repente, não pudéssemos, ou parássemos de medir, seria o caos?

Medir a inteligência*** será difícil se não a definirmos clara e objetivamente (o que pode ser feito por mais do que um modo), embora pareça podermos estabelecer uma escala que iria de zero (a inteligência de uma pedra?!), até valores aparentemente indefiníveis, por exemplo, para seres futuros. Medir é fácil, se definirmos o quê e como se mede.

Agora, que temos uma civilização baseada, fundada em ciência, em tecnologia e em medições, seria impossível mantê‑la e melhorá-la sem elasas medições.

Onde e quando dispensamos as medições, satisfazemo‑nos com muito pouco.

 

* Em 2022, na sequência do processo bélico na Ucrânia, e da carência de energia na Europa, o gás natural e a energia nuclear “passaram” a ser consideradas “energias verdes”, parece! Há definições mais volúveis do que outras e que vão mudando com os tempos; hoje temos muitas poluições! Uma, relevante, de que muitos se queixam, diz respeito à informação e seria a “poluição da/na informação”.

** Árbitro e arbítrio têm a mesma raiz (latina): arbitru-. Todavia, arbitrário não é o mesmo que “aleatório”. Para o “aleatório” não poderá haver fatores sobre os quais seja possível a manipulação, o controlo, a determinação.

Desde há pouco tempo o árbitro (e não só), por exemplo, no futebol, vem sendo ajudado por novas tecnologias, geralmente fundadas em técnicas metrológicas (de observação diferida e pormenorizada), que diminuem (muito) o arbítrio, ou a arbitrariedade (doárbitro).

*** Houve e há humanos potencialmente inteligentes para, por exemplo, o xadrez, mas que, não sabendo jogá-lo, e não o tendo aprendido, passam despercebidos, ignorados, inúteis relativamente a este jogo.

 

2025-10-02

Mais sobre mim

foto do autor

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Arquivo

  1. 2025
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2024
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2023
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2022
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2021
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2020
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2019
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2018
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2017
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D
  118. 2016
  119. J
  120. F
  121. M
  122. A
  123. M
  124. J
  125. J
  126. A
  127. S
  128. O
  129. N
  130. D
  131. 2015
  132. J
  133. F
  134. M
  135. A
  136. M
  137. J
  138. J
  139. A
  140. S
  141. O
  142. N
  143. D
Em destaque no SAPO Blogs
pub