Um ano tem doze meses, mas os meses não são todos iguais: um mês pode ter de 28 a 31 dias; o número de dias do mês de fevereiro varia, em geral, de quatro em quatro anos*.
A semana** é um padrão (de medida, ou contagem) mais consistente do que o mês: todas as semanas têm sete (7) dias e os dias têm todos o mesmo número de horas. Um ano tem cerca de 52 semanas. (Um calendário da Revolução Francesa fazia uma divisão diferente.)
Apesar da (maior) consistência científica (e metrológica) da unidade segundo – agora! –, e das unidades suas derivadas, por exemplo, minuto e hora, um ano não tem um número fixo de segundos (ou de minutos, ou de horas): o movimento de translação da Terra não é uniforme – ocorre sobre uma elipse, acelerando nas partes de maior curvatura da mesma (elipse) –, nem absoluta e matematicamente periódico, entretanto perturbado, entre outros fatores, pelos movimentos de rotação e de precessão (da Terra).
Além disso, quando os especialistas em anos físicos falam do “ano” definem diferentes anos, de acordo com diferentes critérios astronómicos***.
Quando se olha para o ano mais de perto, constata‑se que o dia é uma unidade demasiado grande, imprópria para discriminar variações das oscilações do ano.
Já o ano é uma unidade muito pequena para percebermos, por exemplo, as variações climáticas. (Para estas, que são associadas a projeções/extrapolações cataclísmicas, sem dúvida muito prováveis – porque numerosas no passado, sem homo sapiens –, mas imperscrutáveis em todas as dimensões, variáveis e consequências, devidas a prováveis fatores humanos e também à dinâmica telúrica e astronómica, em proporções não esclarecidas – e em que até as crianças, entre outros ignorantes, opinam –, e que são oportunisticamente aproveitadas por forças – ou poderes – que no passado, para outras problemáticas, só os intermediários de Deus se atreviam a vaticinar****.)
* Um ano comum tem 365 dias, e um ano bissexto, que ocorre, em geral, de 4 em 4 anos, tem 366 dias; mas a esta regra sobrepõem-se outras que alteram, numa periodicidade mais longa – 100 anos –, e outra ainda mais longa – 400 anos –, a frequência dos anos bissextos.
** O período de uma semana está relacionado com o ciclo lunar e tem uma tão grande relevância que se reflete em algumas religiões, nos hábitos sociais e na periodicidade dos repousos do trabalho. (Em alguns países, “ganhar à semana”, ou “ganhar ao mês”, constitui um sinal distintivo de classe social ou de classe profissional.)
*** Quando não tínhamos instrumentos com bom poder resolvente, nem presunção de inconsistências, nem métodos que permitissem detetar diferenças e variações da sua duração, o ano, como unidade de medida, “era”, ou parecia ser consistente.
Agora, com sistemas de boa resolução, são exemplos da variabilidade do padrão físico (do ano astronómico): o ano sinódico, o ano trópico e o ano anomalístico.
**** Para referir só alguns dos medos caseiros mais recentes, adequadamente manipulados, que se entranham/entranharam em nós, tivemos o Céu preso por arames (sem sabermos das amarrações); tivemos também o Adamastor que tudo engoliria; e hoje temos os “Buracos Negros” que tudo e todos devoram, principalmente os que se atreverem a chegar por perto! Não podemos viver sem grandes medos, sem culpas e sem reverências diversas, e convenientemente manipulados por aprendizes das deidades do costume.
Controlar é comparar o que se estabeleceu – clara ou difusamente – como objetivo com o que realmente se obteve, ou foi obtido.
Controlar é verificar se o que se executa corresponde ao que se deseja, projeta e planeia, embora muitos gestores não se apercebam claramente deste desiderato e objetivo. Pode ser a saúde de cada um, a gestão de uma empresa, ou a gestão de um processo fabril, por exemplo. Ou até a gestão (administração) de um império.
Controlar é ainda, durante o devir de um processo, fazer a verificação das fases intermédias, que poderão revelar desvios dissonantes com o(s) objetivo(s) final(ais).. Às vezes, controlar, é só supervisionar.
(Controlar pressupõe, no caso de desvios dos objetivos, a correção dos métodos e procedimentos para se conseguir o que se almeja.)
Para controlar, em geral, é necessário medir (ou contar)*: decidimo‑nos pelo que desejamos; planeamos e executamos o processo; avaliamos (medimos) os resultados para verificar se os objetivos foram cumpridos/obtidos.
Controlar é verificar se o objetivo que se deseja atingir foi conseguido, ou se está a caminho de ser conseguido e, se não, que correções fazer para a consecução dos mesmos objetivos.
Ter pressão arterial controlada é sobretudo medi-la e verificar se se enquadra nos intervalos dos valores recomendados, ou valores de referência. Contudo, a pressão (tensão) arterial pode mudar hora a hora, dia a dia, circunstância a circunstância**.
Ter o colesterol controlado é medi-lo e decidir apropriadamente, segundo os resultados das medições, ou medidas, por comparação com valores de referência (geralmente constando nos relatórios das análises apresentados aos pacientes, ou doentes).
Todavia, em linguagem popular, controlar é policiar, fiscalizar, supervisionar.
Por vezes, ter um processo controlado é dispor de informação relativa ao mesmo processo.
É preciso medir, ou contar – medir é contar! –, para comparar com o objetivo estabelecido como meta, desejo, ou valor estipulado, ou de referência. É preciso contar ou medir para controlar.
Para controlar é necessário avaliar; e o modo mais objetivo, seguro e confiável de avaliar é medir (ou contar).
Em processos fabris automatizados é frequente o controlo automático – o controlo através de dispositivos integrados no sistema de fabrico – de algumas grandezas. Nestes casos, é praticamente incontornável a medição, ou a contagem.
* Há registos e testemunhos de chimpanzés usando varas para medir a profundidade da água dos ribeiros (ou outras zonas inundadas) que (eles) vão atravessando.
É recente a tecnologia que ajuda os árbitros de futebol a decidir se há ou não golo, verificando se a bola ultrapassou completamente (ou não) a linha de baliza. (O “futebol” está hoje cheio de tecnologia, própria e alheia.)
** A medição da pressão arterial obriga a um protocolo que raramente é seguido/cumprido, não só por que poderá ser desconhecido – o protocolo completo – do medidor, mas também porque a natureza da grandeza (pressão arterial) é fonte de variação apreciável, e ainda porque o tempo disponibilizado ao técnico de saúde (para a medição) não o permite.
As medidas que nos dizem respeito, as medidas que dizem respeito aos nossos corpos*, à nossa saúde, aos nossos organismos, estão mormente com os nossos médicos, nos consultórios, nas clínicas, nos hospitais e nos laboratórios de análises – de várias naturezas – que andamos a frequentar, ou que já frequentámos.
Apesar de, legalmente, estes dados serem nossos – como o carro, a bicicleta e a torradeira – por vezes, a sua disponibilidade é problemática e o acesso aos mesmos quase uma impossibilidade**.
(Muitas outras medidas de várias naturezas estão em APP – abreviatura de application, applications, aplicações, aplicativos (em brasileiro) –, nos telemóveis, nos tablets, nos computadores e em outros dispositivos – e sabe Deus que outros ainda –, todos, crê‑se, putativamente compulsáveis por terceiros.)
Ouvimos dizer que os “contadores elétricos inteligentes” poderão discriminar e adivinhar a natureza das atividades implícitas nos nossos perfis de consumidores de energia elétrica, ou na variação temporal dos consumos, isto é, como e em que foi, ou estará a ser gasta a energia elétrica, lá em casa.
E em muitos dispositivos de automóveis é possível que fiquem registadas medidas que desconhecemos e que, eventualmente, poderiam ser comprometedoras, como, desde há muito, na condução profissional, os tacógrafos registam medidas eventualmente comprometedoras para os condutores.
(Os dispositivos que respondem à voz do dono – mas não só – estarão atentos à escuta das ordens, podendo, presuntivamente, registar online todas as conversas nas suas redondezas.)
Parecem ser já uma realidade os carros com dispositivos capazes de detetar e medir a taxa de alcoolemia do condutor, e, de acordo com o valor medido (eventualmente errado), impedir que o condutor se faça à estrada. (Deus seja louvado, e também o Big Brother de George Orwell!)
Os funcionários de algumas empresas que conduzem carros das mesmas, com GPS e outros dispositivos instalados, queixam‑se de violação da sua privacidade (principalmente quando usam as viaturas para os seus próprios fins e à revelia das mesmas empresa).
Super‑ e hipermercados podem guardar as nossas faturas e elaborar os nossos perfis de consumidores, desde os produtos de higiene às bebidas alcoólicas.
* Para a psique (a alma?, o espírito?, o sopro divino?), para já, praticamente, não há medidas, ainda que haja algumas métricas não‑metrológicas. (Não há medidas, mas há dados que estão disponíveis para padres, psicólogos, associações de ajuda psicossocial e programas de TV específicos, com valências de confessionários, quer católicos, quer de psicanalistas.)
** Há pouco tempo podia ler‑se nos media que “Há hospitais a dificultar acesso de utentes aos seus dados pessoais de saúde. Só este ano – 2024 – a ERS recebeu 1241 queixas”
Várias modalidades desportivas apresentam diferentes categorias.
Uma determinada modalidade tem, por exemplo, a categoria “-57KG”.
Nesta categoria é usada a expressão “-57KG” em vez de ”<57 kg”, ou, opcionalmente, “52 kg a 57 kg” *.
Descodificando “-57KG”:
1 – O sinal “menos” (-) significa normalmente que o valor é negativo, contudo nesta representação, o sinal, ou símbolo, pretenderia substituir, ou representar a expressão “menos do que”, isto é, “menor do que”, ou ainda “abaixo de”, ou “inferior a”. Afinal, o que é “-57 quilos”?
Aparentemente querer‑se‑ia dizer menos do que 57 kg (<57 kg).
2 – K é o símbolo para o kelvin – unidade de temperatura (absoluta) –, não para mil, não para quilo‑, ou kilo-; o símbolo correto do prefixo kilo-, mil, 1000, é “k”.
3 – G é o símbolo (SI) para giga-, prefixo SI para 109 (1 000 000 000), não para o grama (g); o símbolo correto para o grama é “g”.
4 – Entre o valor da intensidade, ou o número, e o símbolo da unidade deverá haver um espaço: não 57kg, mas 57 kg.
Em outras circunstâncias, quando muitos desejam escrever que um valor é um “valor aproximado”, um “valor indicativo”, encontramos, desadequada e frequentemente, por exemplo: ±5 kg. O que quer dizer? E o que é que verdadeiramente se diz?
O símbolo “±” não é legítimo para substituir a expressão “mais ou menos”, ou a palavra “indicativamente”, ou o termo “aproximadamente” **.
É correto escrever 1000 kg ± 5 kg, isto é, um intervalo entre 995 kg (1000 kg – 5 kg) e 1005 kg (1000 kg + 5 kg).
Mas, ±5 kg significaria uma massa entre –5 kg (?) e (+) 5 kg.
O que se deseja transmitir – aproximadamente 5 kg – é representado por ≈ 5 kg e não ±5 kg (mais ou menos 5 kg).
Seguramente que estamos perante uma, ou várias, das seguintes causas: abuso, ignorância, irresponsabilidade, arrogância, menosprezo, ou …tradição! (O analfabetismo, principalmente o analfabetismo funcional, a iliteracia, frequentemente, é … tradicional e atávico***.)
Ainda no âmbito dos jogos: “10.000m rasos femininos” (em vez de 10 000 m, sem ponto, mas espaço em vez do ponto entre os dois primeiros zeros, e com espaço entre “10 000” e o símbolo “m”). (E o que serão “metros femininos”?, ou “metros rasos femininos”?)
* Todavia, aquela e outras expressões semelhantes poderão ser símbolos, ou descritores (desportivos) e não expressões metrológicas (retorcidas). Se assim for, KG representaria a unidade de base SI “kg”?!
(A questão não é só metrológica: os tribunais têm frequentemente o mau hábito de castigar a ambiguidade técnica.)
** Embora os contextos em que as expressões incorretas aparecem ajudem a esclarecer expressões erróneas, a ambiguidade promove, entre outros, a confusão, o erro e o engano; além de ser antipedagógico.
*** Diz‑se, ou dizia‑se, que a “lei do menor esforço” (?) é uma das leis que explicam e comandam a evolução das línguas. Esta expressão destinar‑se‑ia a evitar o termo “preguiça” que é menos polido; a expressão “lei do menor esforço” é mais soft, mais “socialmente correta”, mas menos rigorosa, mais condescendente, menos provocadora.