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Medidas e medições para todos

Crónicas de reflexão sobre medidas e medições. Histórias quase banais sobre temas metrológicos. Ignorância, erros e menosprezo metrológicos correntes.

Medidas e medições para todos

Crónicas de reflexão sobre medidas e medições. Histórias quase banais sobre temas metrológicos. Ignorância, erros e menosprezo metrológicos correntes.

MEDIÇÕES E OPINIÕES

MEDIÇÕES E OPINIÕES

Verdadeiramente grande

 

“Verdadeiramente grande”, estava escrito no letreiro; e nas etiquetas do produto não figuravam as dimensões, as medidas. O que é grande? E “verdadeiramente grande”? Grande em relação a quê? Qual é a referência?

Écran/ecrã gigante, dizia a repórter. Sabemos o que é, por exemplo, um ecrã retangular 4 m x 3 m; mas não sabemos o que é um ecrã gigante.

Cem (100) deputados do Parlamento Português é um “grande número”; e a constante de Avogadro (≈61023) também é um “grande número” e um ”número grande”.

Os jornalistas, os publicitários e os marketeers, entre outros, são frequentemente imprecisos (inexatos), exagerados e manipuladores.

(A publicidade é feita de informação, de sedução e de manipulação, em proporções variáveis.)

Quando se designa alguma coisa por termos como “grande”, “enorme”, “extraordinário”, privilegia-se a sensação, a impressão, a manipulação, em vez da informação, conquanto os dados objetivos, numéricos, possam não estimular a atenção do ouvinte, do espectador, do destinatário.

Afinal, o que é “grande”? Quando nos dizem que um bife é “grande”, o que é que isso significa? E se for um carro? E um tumor?! Quais são as referências?

Para cada caso concreto, muitos diriam que não é grande nem pequeno; e para outros tantos (sem excluir os primeiros!) ora é grande, ora pequeno, ora nem grande nem pequeno.

Com adjetivos e advérbios poderemos sensibilizar o destinatário, sem nos comprometermos. Aparentemente, sensibilizar o(s) destinatário(s) é um objetivo fundamental nos negócios, na política e na publicidade, entre outras áreas. Com adjetivos podemos adaptar a retórica às estratégias, às táticas e aos objetivos.

(Como lidarão as IA – há mais do que uma – com termos como “fabuloso”, “enorme”, “fantástico”, ? As IA vão ao dicionário?)

“Verdadeiramente grande” tem algum significado específico? A frase chama a atenção do potencial cliente, do cidadão curioso, mas não lhe dá informação numérica, ou informação alguma, só sugestão (de tamanho).

Dizer “grande” veicula mais informação do que apresentar a medida?

Pode depender da área, ou domínio: – “Asteroide de 4,35 km de diâmetro vai passar perto da Terra”. Neste caso, “perto” são cerca de sete milhões de quilómetros (7106 km); mas a Lua fica a menos de meio milhão de quilómetros (5∙105 km) da Terra.  Afinal, “perto” é cerca de catorze vezes a distância da Terra à Lua! “Perto” é o quê? “Muito perto”, “pertíssimo” serão expressões adequadas para referir a distância da Lua à Terra?

Soprar muito sobre uma chama poderá apagá‑la, ou intensificá‑la, depende do sopro e do tamanho da chama, isto é, depende do caudal (vazão, em brasileiro) de ar e tempo durante o qual o mesmo é mantido sobre a chama.

As medições e as medidas tendem a eliminar as opiniões, pelo menos certas opiniões, ou opiniões de determinados tipos. Contudo, são as opiniões que, em certos ramos, setores e atividades empolgam, convencem, persuadem.

E velocidade elevada, o que é? Já sabemos o que é “excesso de velocidade” e “velocidade excessiva”, mas, o que é grande velocidade? E “a toda a velocidade”?!

E grande inteligência? Esta grandeza – um emaranhado de grandezas – já é medida, segundo várias métricas QI e convenções mais ou menos correntes. Poderíamos conhecer os QI de quem se propõe governar-nos? E obrigar os candidatos a governarem‑nos a declará‑los (os respetivos QI)?

Quando se lê, ou se ouve que as estruturas de trabalho estão a mudar a uma velocidade vertiginosa, não se trata da grandeza (física) velocidade. E o que será vertiginoso, neste e em outros casos? Isto não é Metrologia: é Tremendologia.

 

2025-01-30

NÚMEROS QUALITATIVOS

NÚMEROS QUALITATIVOS

Tudo é número?

 

- Vêm aí os romanos! – gritou a sentinela dos gauleses. – Quantos são? – perguntou o comandante. – São 10 001! – respondeu a sentinela. – Como assim, 10 001? –, quis saber o comandante. – São prá aí uns 10 000, e mais um à frente –, esclareceu a mesma sentinela*.

Tudo tem um número, segundo os pitagóricos, e, agora, também de acordo com muitos outros nossos contemporâneos, embora “número”, para um pitagórico primitivo, não fosse o mesmo que é agora para nós. (Para os pitagóricos só existiam os inteiros e as frações – com inteiros.)

“Tudo tem um número”, se lho dermos, descobrirmos, ou atribuirmos. (Apesar da simplicidade, da pretensa universalidade do presuntivo postulado – ou até axioma), a grande dificuldade está nos termos e conceitos “tudo”, “tem”, “um” e “número”. Os pitagóricos não imaginavam os irracionais – quando se deram conta do primeiro, √2, foi uma tragédia – e, muito menos, os números imaginários; para eles, números eram medidas, isto é, números racionais, inteiros e fracionários – razões de inteiros.)

“Um milhão” é, aparentemente, uma quantidade bem determinada; porém, “um milhão” e “alguns milhões” são geralmente quantidades indeterminadas. “Muitos milhões” é uma expressão de indeterminação quase total.

Quem diz milhões, diz milhares, diz centenas, ou dezenas. Frequentemente, usamos estes termos de modo indicativo, aproximado, ou simbólico**.

Os números das portas das nossas casas, os números que usamos nos endereços em cartas e postais, são números qualitativos, não são intensidades, valores ou quantidades, como costumam ser, em geral, os números, os cardinais. Os números das nossas portas, das nossas moradas, são ordinais, são símbolos, indicadores de uma ordem (contudo, arbitrária); podiam ser letras, ou conjuntos de letras.

Os números mecanográficos, os números fiscais, os números de cidadão, entre outros, são simples características identificativas, propriedades nominais, qualitativas. Ninguém paga mais impostos (ou menos) por ter um número fiscal superior ao de outrem. Nem se é mais cidadão do que outrem por se ter um “número de identificação” superior.

Por vezes, os números são medidas estatísticas e respeitam a conjuntos. Por exemplo, dizerem‑nos que a esperança de vida é agora de oitenta e três (83) anos, não é uma garantia, para mim – ou outrem –, do que me resta de tempo de vida, mas uma informação relativa a um grupo onde estou integrado***.

De modo idêntico, por exemplo, a taxa de fertilidade de 1,4 (um vírgula quatro), em Portugal, não é uma medida individual de todas e cada mulher, é só um indicador que permite, por exemplo, a comparação entre diferentes países, identificando a necessidade e urgência, ou não, de medidas políticas para (tentar) alterar aquela taxa.

 

* Adaptação de uma “fala” em episódio de uma banda desenhada. [Astérix; Asterix, em brasileiro]

 

** “Um par de horas” não são 2 horas;meia dúzia de pessoas” não são seis; uma centena de manifestantes não são cem manifestantes.

 

*** Se mudar de nacionalidade, a minha “esperança de vida” é alterada: enquanto português tenho agora uma determinada “esperança de vida”; se me fizer ugandês, ou islandês, oficialmente, passarei a ter outras esperanças de vida. (Um cidadão médio não coincide ou equivale à média dos cidadãos.)

 

2025-01-23

TEMPO GLOBALIZADO

TEMPO GLOBALIZADO

Todos com o mesmo minuto

 

Vivemos quase todos no mesmo minuto (e no mesmo segundo).

E não precisamos de relógios: as “horas” – o tempo cronológico – estão, por exemplo, no telemóvel, no computador, na TV. (O tempo legal globalizado de cada um de nós é/está praticamente uniformizado e, aparentemente, centralizado*.)

Salvo (muito) raras exceções, os “tempos” de quaisquer dois cidadãos do mundo diferem nas horas, e nunca nos minutos, nem nos segundos**. (Excluindo pequenos desacertos/desvios provenientes das comunicações das fontes com os dispositivos, e a qualidade dos dispositivos e as manobras ou manuseamento dos utilizadores.)

Contudo, por exemplo, os média (melhor do que os mídia) portugueses, quando anunciam, ou noticiam eventos e ocorrências internacionais, costumam adjetivar a “hora” como “hora local”, ou, em alternativa, a “hora” ( não o minuto) correspondente em Portugal, para não induzirem em erro os ouvintes, leitores, ou espectadores.

Houve tempos em que algumas comunidades, no mesmo país, tinham diferentes tempos, ou “horas”. Esta situação tornou-se um problema dramático*** quando começaram a expandir‑se, por via do desenvolvimento tecnológico, as comunicações e os transportes, nomeadamente, as comunicações com ondas eletromagnéticas e os transportes ferroviários****.

 

* Nos dispositivos informáticos e informatizados, como por exemplo, computadores, telemóveis, e canais de rádio e TV, as “horas” neles disponíveis e afixadas são comandadas por centrais à distância e à revelia dos donos dos mesmos dispositivos.

 

** Se num determinado momento tentar conhecer, pesquisando, as “horas” em diferentes lugares do mundo, verificará diferenças nas horas, não nos minutos e segundos.

A evidência é imediata nos aeroportos, onde, em geral, são apresentados, uns a par dos outros, vários mostradores de relógios com as “horas”, o tempo legal, em várias cidades do mundo; e as diferenças estão só nas horas, não nos minutos nem nos segundos.

 

*** Todos sentimos o desconforto e a contrariedade quando, mesmo profissionalmente, nos deparamos, por exemplo, com comprimentos expressos em pés, jardas ou milhas e temperaturas em graus Fahrenheit, isto é, diferentes números para as mesmas realidades.

 

**** Ainda hoje, por via das diferenças horárias entre alguns países, alguns viajantes ficam com dúvidas quanto à duração da sua viagem quando comparam, in loco, a “hora” de chegada, com a “hora” de partida.

Uma estudante, aparentemente com pouca sensibilidade para o tempo, viajando de comboio do Porto para Vigo, e guiando‑se pelas leituras dos relógios que observara numa e noutra estações, dizia que a viagem durara apenas vinte minutos (20 min). (Embora estejam no mesmo fuso geográfico, Porto e Vigo têm diferentes horas legais, por opção dos países a que pertencem: Portugal e Espanha, respetivamente.)

 

2025-01-16

O INFINITO E AS MEDIÇÕES

O INFINITO E AS MEDIÇÕES

O infinito e mais além

 

Hoje, o “infinito” já é uma entidade compatível com muitas vertentes da Matemática, embora tivessem sido necessárias muitas e variadas reflexões, muitas análises e muito tempo para se chegar a tal estádio.

Há “infinitos” processados e contabilizados com o rigor e a consistência formais da Matemática, graças, entre outros, a Cantor* e a Dedekind**.

Contudo, para a Metrologia, o infinito é imensurável. (Aparentemente, para além dos números – uma invenção ou uma descoberta? – e de muitas invenções – como, por exemplo, a eternidade – não há infinitos palpáveis, exceto o Universo e a estupidez, como, por vezes, se diz ter dito Einstein.)

Todavia, em algumas áreas, desde a poesia*** à religião, quase todos estiveram sempre à vontade com o infinito! Com outro infinito! Do mar ao Mundo, do amor à vida, uns e outros “eternos e infinitos”!

O transcendente é incompatível com as medições – por definição. O transcendente é imensurável (sem limites) e, em geral, incomensurável (sem padrão e sem unidade de medição).

O infinito, em geral, quadra bem com a poesia, alguma Filosofia e a cultura popular, entre muitas outras culturas.

Transcendente é uma das palavras da lista de termos estritamente virtuais, ou simbólicos e, aparentemente, não necessárias, mas “úteis”. (Como úteis parecem ser muitas criações humanas virtuais, ainda que aparentemente desnecessárias.)

(Se o leitor olhar para o céu com atenção e quiser ver um elefante, mais cedo do que tarde, vê-lo-á. Se pesquisar os poetas ou os filósofos do passado e quiser identificar um visionário – eventualmente, ceguinho –, mais cedo do que tarde, encontrá‑lo‑á. Às vezes, o mesmo poeta ou filósofo disse uma coisa e o seu contrário.)

O Universo, que já foi “eterno, infinito e imensurável”, parece ter, contudo, dimensões definidas, ainda que indeterminadas (por exemplo, está a crescer), e sabe-se quando nasceu. O Universo observável, pela ciência vigente, é mensurável.

“Eterno” e “infinito” são termos e invenções “úteis”, seguramente estrita e exclusivamente humanos, mas não passam de termos do conjunto das transcendências que preenchem a nossa curiosidade, a nossa ignorância e a nossa necessidade de tudo explicar. (A primeira e mais conseguida “Teoria de Tudo” foi/é Deus.)

Medir elimina o sonho e é um grande obstáculo à trapaça, à demagogia, à manipulação. Mas os modos de usar as medidas poderão ser manipuladores.

Todavia, mesmo em Ciência, são medidas coisas que nunca alguém viu: por exemplo, eletrões e fotões, apesar destes últimos nos entrarem a rodos olhos adentro.

 

* Georg Cantor [1845 – 1918], Georg Ferdinand Ludwig Philipp Cantor, matemático alemão, embora nascido em S. Petersburgo (Rússia).

 

** Richard Dedekind [1831 – 1916], Julius Wilhelm Richard Dedekind, matemático alemão.

 

*** Pelo menos na poesia, há quem ache que alguns poetas “transcendem o transcendente” (?). Aparentemente, o transcendente permite a liberdade absoluta, ainda que só literal, literária e imaginária. (Convém não esquecer que as linguagens/línguas são antropocêntricas e, em geral, pouco adequadas à Ciência, embora essenciais à presunção, ignorância e manipulação humanas.)

 

2025-01-09

PESAGENS E PREÇOS

PESAGENS E PREÇOS

Num supermercado perto de si

 

No supermercado, na etiqueta com código de barras emitida pela balança que pesa o produto escolhido pelo cliente, pode ler‑se que são 12 € pelos 600 g* (do produto), isto é, 20 €/kg. A fatura/recibo emitida na caixa do mesmo supermercado diz que são 12 € por 400 g (do mesmo produto) – 30 €/kg). O cliente fica confuso porque não sabe quanto está a comprar, e a que preço por quilograma, e dirige-se ao balcão de reclamações/informações.

(Felizmente, o cliente comum, o cliente‑padrão e o cliente‑modelo não se preocupa com este tipo de coisas – abençoado freguês! – e não verifica a fatura/recibo. Nem vai ao balcão das informações por tão pouco! Mas poderá ir por outras quaisquer irrelevâncias**.)

Também é frequente, quer com frutos secos, quer com frutos secados, embalados e já marcados com peso e preço, encontrarmos discrepâncias entre este peso (o que está na etiqueta com código de barras) e o peso que apuramos quando nós próprios colocamos o saco (ou outra embalagem) na balança.

Também antes de “mandar” pesar o peixe fresco, o cliente não está autorizado a manuseá-lo (o peixe) para ver a cor das guelras e a rigidez do cadáver, como aconselham os especialistas de peixe que também recomendam que se verifique o brilho dos olhos e o das escamas. (Algumas recomendações, conselhos e sugestões dos especialistas são aparentemente impróprias, inopinadas e inúteis do ponto de vista operacional, prático e funcional***.)

 

* Os consumidores atuais já estão em melhor situação do que os consumidores antigos, quando muitos comerciantes teriam, literalmente, “dois pesos e duas medidas”: um (dispositivo de pesagem) para comprar aos fornecedores, geralmente pequenos produtores locais, e outro (dispositivo de pesagem) para os clientes, ou fregueses; cada um calibrado e ajustado à vontade do comerciante.

 

** No balcão das reclamações, informações e apoio (?) ao cliente, aparentemente o único meio de tirar dúvidas depois da passagem pela caixa – não há balanças disponíveis depois de passarmos as caixas, ao contrário do que sucede correntemente nos mercados públicos –, a assistente sossega o cliente assegurando-lhe que, num caso, ou noutro, não paga mais do que 12 €! (Aparentemente, nas lojas, a qualidade profissional dos colaboradores de diferentes atividades e níveis, está bastante nivelada! Ou, de outro modo, espera‑se que o cliente seja cordato, civilizado e resignado e que bastará um/uma assistente debitar qualquer conversa da treta – com alguns critérios de retórica pouco mais do que básica – que, por sistema, por norma, ou “por defeito” – by default –, como invariavelmente se diz, ele aceitará.)

 

*** E são mesmo (quase) inúteis, porque se cada potencial cliente fizesse, à sua vontade, os testes de frescura, não sobraria peixe algum fresco, desejável, apresentável e apetecível! Aparentemente, os critérios para uma boa aquisição de peixe e outros produtos, seriam inconciliáveis com a higiene local e com a integridade e conservação da qualidade destes mesmos produtos.

 

2025-01-02

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