Hoje apresento um rol de termos equivalentes ao termo “Metrologia”, ou traduções em diferentes línguas do mesmo (termo).
Embora um pouco despropositado, mas, a pretexto (da globalidade) da época natalícia, alguns leitores poderão achar o tema curioso.
(Por parecer inútil, não é indicada a língua, ou idioma a que cada vocábulo/expressão pertence. Todavia, com a ajuda do Google, esta tarefa não será difícil.)
1 – Um ou outro termo mais exótico, à míngua do léxico de cada idioma e limitações do tradutor automático (?), poderá estar confundido (?) com o termo equivalente a “meteorologia” (o tempo atmosférico). De resto, alguns idiomas, que servem fundamental e exclusivamente de sistemas de comunicação elementar e local, ignoram designações de ciências e tecnologias de que não necessitam;
2 – Alguns termos são idênticos em várias línguas e idiomas. Por exemplo, Metrology, Metrologi, Metrologia (com ou sem acentos gráficos diversos em diferentes posições) são comuns a várias línguas;
3 – Alguns termos, embora aqui escritos só com carateres latinos, são também e sobretudo escritos, entre outros, em cirílico, com carateres árabes, com ideogramas e ainda outros carateres;
4 – Alguns termos significam simultânea ou indistintamente “Metrologia”, “Medida”, “Medição”;
5 – Aparente e curiosamente – ou talvez não –, em geral, quanto menos falantes tem uma língua (um sistema de comunicação), ou idioma (uma marca identitária de uma comunidade), mais longa é a expressão para o termo “Metrologia”;
6 – Apesar de os termos aqui apresentados começarem por maiúscula, em algumas línguas poderão não ser usadas letras maiúsculas.
São frequentes os arredondamentos de medidas, sobretudo das medidas indiretas*.
Nas medidas indiretas, obtidas por cálculo, há frequentemente algarismos não significativos que devem ser expurgados.
(Arredondar é, basicamente, e segundo as regras, suprimir alguns decimais de menor ou nenhum valor** Essa supressão, em metade dos casos, é uma supressão simples, e em outra metade é uma supressão com alteração do dígito decimal imediatamente à esquerda dos algarismos suprimidos.)
Os arredondamentos das medidas, são, em geral, procedimentos correntes, banais e, frequentemente, inconsequentes do ponto de vista da qualidade da mesma (medida).
Contudo, os arredondamentos poderão ter consequências sérias na previsão do porvir de um processo, de um fenómeno, ou de uma ação***.
Por outro lado, pela sua natureza, as medidas (valores conhecidos) são aproximações dos valores (desconhecidos) das mensurandas (mensurandos, em brasileiro).
E convém não perder de vista que a mensuranda – a incógnita, a desconhecida – é representada pela medida – a conhecida.
Contudo, o arredondamento, por vezes, tem um efeito dramático nos resultados (dos cálculos) das grandezas em que entra a medida: efeito idêntico ao do desvio da trajetória provocado por uma pequena partícula no piso onde rola uma esfera.
O arredondamento, ou desprezo de alguns decimais (os menos significativos), em muitos casos, mostrou ser consistente com um tipo de fenómenos que hoje são estudados na (novel) Teoria do Caos: uma pequena variação de uma grandeza, ou erro, arredondamento, ou simplificação de um valor inicial de uma variável, na resolução de uma equação, pode conduzir, â distância e a prazo, ou ao fim de algumas iterações, a valores, ou a intensidades muito distintos daqueles que seriam obtidos sem a consideração de variações, simplificações, arredondamentos.
* Arredondar as medidas diretas significaria que foram usados instrumentos de melhores características e melhores capacidade e capabilidade do que realmente seria necessário; um desperdício, portanto.
(Os arredondamentos não devem ser feitos casa a casa, algarismo a algarismo, mas de uma vez só. Se desejarmos arredondar 263,57 às unidades, faríamos, diretamente, 263,57 → 264)
Os arredondamentos, em geral, param na vírgula. Todavia, por exemplo, no caso do valor 236, poderíamos escrever 2,36∙102 – reposiciona‑se a vírgula sem alterar o número de unidades –, e se se justificasse, arredondaríamos para 2∙102, ou 200.
O arredondamento, em princípio, e de um modo geral, é determinado e controlado pela incerteza de medição.
*** O “efeito borboleta” (uma designação já popularizada e banalizada), uma expressão e uma designação simbólica de uma pequena variação de uma grandeza, por exemplo, no espaço meteorológico (referente ao clima e ao estado do tempo), mas estendida a outros fenómenos e sistemas, procura chamar a atenção para o fenómeno do caos: grandes efeitos originados em pequenas causas.
Há denominações de natureza metrológica que não se expressam numericamente – são as propriedades qualitativas*.
A “exatidão de medição”, definida no Vocabulário Internacional de Metrologia**, não é quantificável, isto é, não tem intensidade, não tem magnitude, não tem valor numérico (associado): não é uma grandeza.
Como se poderá dizer que uma medida é mais exata do que outra***?
E que outras propriedades metrológicas não têm valor numérico?
Entre outras, a “justeza de medição” **** é uma propriedade metrológica a que não é associado valor numérico ou intensidade.
Mas não só com as características genéricas das medições. Algumas propriedades (grandezas) geométricas não seriam suscetíveis de medição. Por exemplo, a “concavidade” de uma curva não é quantificável, apesar de a “curvatura” o ser.
* Propriedade qualitativa – Propriedade dum fenómeno, corpo ou substância, a qual não pode ser expressa quantitativamente.
EXEMPLO 1 O sexo dum ser humano.
EXEMPLO 2 A cor duma amostra de tinta.
EXEMPLO 3 A cor de “spot test” em química.
EXEMPLO 4 O código ISO de país com duas letras.
EXEMPLO 5 A sequência de aminoácidos num polipeptídeo.
NOTA 1 Uma propriedade qualitativa tem um valor que pode ser expresso em palavras, por meio de códigos alfanuméricos ou por outros meios.
NOTA 2 O valor duma propriedade qualitativa não deve ser confundido com o valor duma grandeza. [VIM 2012; VIM – Vocabulário Internacional de Metrologia.] (Sublinhado do autor desta crónica.)
** Exatidão de medição – Grau de concordância entre um valor medido e um valor verdadeiro duma mensuranda.
NOTA 1 A “exatidão de medição” não é uma grandeza e não lhe é atribuído umvalor numérico. Uma medição é dita mais exata quando fornece um erro de medição menor. [VIM 2012; VIM – Vocabulário Internacional de Metrologia].
(Sublinhado do autor desta crónica.)
*** A exatidão é relacionada com o erro de medição que é avaliado pela aproximação da medida a um valor convencionado como verdadeiro.
**** Justeza de medição (veracidade de medição, em brasileiro) – Grau de concordância entre a média dum número infinito de valores medidos repetidos e umvalor de referência.
NOTA 1 A justeza de medição não é uma grandeza e, portanto, não pode ser expressa numericamente. Porém, a norma ISO 5725 apresenta medidas para o grau de concordância.
NOTA 2 A justeza de medição está inversamente relacionada ao erro sistemático, porém não está relacionada ao erro aleatório. [VIM 2012;VIM – Vocabulário Internacional de Metrologia].
O termo “distância” (comprimento, largura, altura, deslocação, intervalo entre dois pontos, …) tem, frequentemente, uma aceção espacial, mensurável: “comprimento”. E a unidade de base SI do “comprimento” é o metro, símbolo (SI), m.
Medir distâncias, dependendo do valor das mesmas, é, correntemente, uma das operações metrológicas mais simples e mais fáceis de realizar*.
Contudo, não faltam usos deste termo que não permitem medição**, porque são conceitos incomensuráveis (não têm padrão de referência, e, evidentemente, nem unidade): “distância social”, “distância afetiva”, “distância entre o bem e o mal”, “manter as distâncias”, “os amigos mais próximos” (mesmo que vivam longe), entre muitas outras “distâncias” igualmente incomensuráveis (pela mesma razão de não haver bitola ou padrão para a medição).
Por outro lado, por exemplo, “distância temporal” pretende significar “intervalo de tempo”, “lapso de tempo”, ou “período”.
Por sua vez, por exemplo, “a uma hora de distância”, como se vê em anúncios e algumas mensagens informativas, pretende significar uma distância espacial, embora represente diferentes valores, se, por exemplo, o percurso for feito a pé, ou de carro. (Presuntivamente, é de carro, porque hoje, só se anda a pé em passadeiras rolantes, em casa e em ginásios.)
Já “ano luz”, uma distância, parece querer significar um período, ou intervalo de tempo.
Com a Teoria da Relatividade, “manter”, ou “não manter as distâncias”, passou a ter um significado físico (ainda mais) restrito, ou preciso.
Com a Teoria Quântica, distância, ou posição, passou a estar emparelhada com velocidade, ou com momentum, e a partilhar com esta/e, numa razão indireta, a incerteza dimensional, ou metrológica.
Por vezes falamos de algumas distâncias como valores bem definidos, embora tal não ocorra: por exemplo, a “distância da Terra ao Sol” é variável, porque a Terra se move numa trajetória elítica onde o Sol ocupa um dos focos. Todavia, a distância da Terra ao Sol poderia ser a média das distâncias entre os dois astros.
(Contrariamente ao que se possa pensar, o verão – o período mais quente no hemisfério norte – não ocorre quando a Terra está mais próxima do Sol, mas, ao invés, quando está mais afastada.)
* Determinar a distância, sobre a Terra, entre dois pontos definidos pelas suas latitude e longitude, sem o uso de meios de cálculo automáticos, não é tarefa muito simples, muito fácil e muito rápida. (Por exemplo, com recurso a algumas funcionalidades do Google Maps, este problema pode resolver‑se com alguma facilidade, ainda que de modo aproximado, ou um pouco mais do que indicativo.)
Todavia, também em mapas correntes, por exemplo, em papel, sem “escala”, não é possível medir ou estimar distâncias pelo desconhecimento das equivalências (escalas) entre as distâncias reais, no terreno, e as suas representações (no mapa).
** A namorada de um fulano pediu-lhe tempo e distância; ele presumiu que ela pretenderia calcular uma velocidade.